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Acordo entre Estados Unidos e Irã derruba preços da soja e milho nas bolsas

Memorando de entendimento reduz prêmio de risco geopolítico no mercado financeiro e afeta cotações de grãos e do petróleo

VIVIANE TAGUCHI

15/06/2026 • 12:43 • Atualizado em 15/06/2026 • 12:43

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Reprodução: REUTERS/Elizabeth Frantz

Resumo

O anúncio de um memorando de entendimento de paz entre Estados Unidos e Irã, neste domingo (14), provocou forte descompressão de risco nos mercados globais nesta segunda-feira (15). O mercado agrícola operou em baixa na Bolsa de Chicago (CBOT), onde grãos como soja e milho registraram novas mínimas contratuais devido ao refluxo do prêmio de risco geopolítico. A desvalorização do óleo de soja, que acompanhou o tombo do setor de energia, pressionou ainda mais o complexo do agronegócio.

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O acordo de paz, porém, ainda terá novas rodadas de negociações para ser selado oficialmente. A reabertura do Estreito de Ormuz, porém, só deve ser oficializada nos próximos dias. O Paquistão, principal mediador, afirmou que a assinatura para a reabertura ocorrerá na próxima sexta-feira (19), na Suíça.

O Estreito de Ormuz é uma das principais passagens marítimas de produtos brasileiros exportados para o Oriente Médio e também, para a China, funcionando como um ponto de ancoragem dos navios. Com o bloqueio, em março, os exportadores brasileiros buscaram rotas alternativas para não prejudicar as importações de países asiáticos.

O contrato de julho da soja na Bolsa de Chicago recuou mais de 10 pontos, cerca de 1%, operando na faixa de US$ 11,07 a US$ 11,09 por bushel (medida de capacidade para sólidos equivalente a 27,21 quilogramas no caso da soja). As consultorias internacionais e agências de notícias confirmam o movimento de quebra técnica das commodities agrícolas na abertura das negociações. Há um consenso de que a pacificação no Oriente Médio retirou o capital de proteção geopolítica das posições em grãos.

Além do cenário internacional mais calmo, fatores climáticos secundários atuaram de forma paralela. O clima úmido e frio no cinturão de produção norte-americano, o Corn Belt, durante o final de semana funcionou como um fator de baixa para a soja e o milho. Esse quadro melhora as expectativas para os relatórios de progresso de safra do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA.

Petróleo despenca e dólar recua no Brasil

Com o anúncio de um possível acordo de paz, as cotações do petróleo e o dólar caíram e isso deve aliviar um pouco os custos de produção de alimentos no Brasil.

O setor de energia liderou as perdas no dia. O petróleo despencou mais de 4% com a confirmação da reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval norte-americano. O barril do tipo WTI recuou para a casa dos US$ 80,00, atingindo as menores cotações em três meses. O movimento ocorreu após declarações do governo norte-americano para que o suprimento global fosse normalizado.

Em meio ao aumento do apetite por risco internacional, o dólar recuou globalmente. No mercado brasileiro, a moeda norte-americana operou em queda na manhã desta segunda-feira, atingindo o patamar de R$ 5,04. O recuo da divisa estrangeira e a desvalorização das commodities em Chicago alteram a dinâmica de comercialização (processo que envolve desde a logística até a venda) para os produtores rurais no Brasil.

Como o memorando de entendimento só será oficialmente assinado em Genebra, na Suíça, na próxima sexta-feira (19), o mercado ainda não precificou os termos exatos sobre a retirada das sanções econômicas de longo prazo ao Irã. Analistas alertam que o ritmo real do retorno do petróleo iraniano ao mercado físico global ainda é incerto.