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Alta do diesel preocupa produtores e ameaça elevar inflação no campo

Suspensão de impostos federais não impede disparada nos postos; falta de combustível e custos logísticos pressionam safra de soja e milho

Da redação
DA REDAÇÃO

17/03/2026 • 09:21 • Atualizado em 17/03/2026 • 09:21

Resumo

A alta nos preços do óleo diesel e a escassez do combustível em várias regiões do Brasil provocaram preocupação no agronegócio e na economia nacional, com o valor ultrapassando R$ 7,00 por litro em estados como o Distrito Federal, afetando o transporte da safra e gerando temor de inflação nos supermercados.

O cenário de incerteza prejudica o transporte rodoviário e a operação das máquinas agrícolas, com caminhoneiros enfrentando longas filas para abastecer e produtores rurais temendo interrupções na colheita e plantio, como relatado pela produtora Marisa, que sofre com a redução do estoque de diesel e a ausência de repasse de descontos pelas distribuidoras.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou fiscalização rigorosa ao governo federal para evitar especulação e garantir repasse das reduções de impostos, enquanto o governo anunciou novos instrumentos de controle pela ANP; especialistas alertam para efeito cascata nos preços, influência de conflitos internacionais e expectativa de corte moderado de juros pelo Copom, com atenção aos riscos externos.

A alta nos preços do óleo diesel e a escassez do combustível em diversas regiões do Brasil acenderam o sinal de alerta para o agronegócio e para a economia nacional nesta segunda-feira (17). Mesmo com a suspensão da cobrança de PIS e Cofins sobre o insumo, o valor nas bombas ultrapassou a marca de R$ 7,00 em estados como o Distrito Federal, impactando diretamente o escoamento da safra e gerando temor de um novo ciclo inflacionário nos supermercados.

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Impacto na produção e logística

O cenário de incerteza afeta tanto o transporte rodoviário quanto a operação das máquinas agrícolas. Em postos na entrada de Brasília, o litro do diesel chegou a ser comercializado por R$ 7,39 na manhã desta segunda-feira, com relatos de esgotamento do produto. Caminhoneiros enfrentam filas de mais de 20 horas para abastecer, enquanto produtores rurais temem que a falta do combustível interrompa a colheita da soja e o plantio do milho, atividades que demandam alto consumo diário de combustível.

A produtora rural Marisa, que mantém propriedade a 30 quilômetros da capital federal, relata que o estoque de seu tanque particular caiu pela metade em um momento crucial da safra. Segundo ela, não há repasse automático de reduções de preços por parte das distribuidoras, restando ao produtor arcar com os custos elevados para garantir a continuidade dos trabalhos no campo.

Cobrança por fiscalização e cenário econômico

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) cobrou do governo federal um rigor maior na fiscalização para conter possíveis práticas de especulação. A entidade defende que as medidas de redução de impostos precisam chegar efetivamente à ponta da cadeia produtiva. Em resposta, o governo anunciou que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) terá novos instrumentos de controle para monitorar os preços praticados.

Especialistas avaliam que o aumento do diesel gera um efeito cascata imediato. Como a maior parte do abastecimento brasileiro depende do modal rodoviário, a elevação do custo do frete é transferida para o preço final das mercadorias. Além do fator logístico, economistas apontam que a instabilidade internacional, agravada pelo prolongamento de conflitos no Oriente Médio, gera incertezas que podem inibir o Banco Central de realizar cortes mais agressivos na taxa de juros (Selic).

A expectativa do mercado financeiro é que o Comitê de Política Monetária (Copom) opte por uma redução moderada de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, acompanhada de um comunicado cauteloso sobre a trajetória da inflação e os riscos externos.