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Arroba do boi gordo atinge recorde e melhora lucro de pecuaristas em SP

Valorização do animal pronto para o abate reduz custo de reposição e garante a melhor relação de troca para o setor em 12 meses

Da redação
DA REDAÇÃO

16/04/2026 • 11:17 • Atualizado em 16/04/2026 • 11:17

Raquel Brunelli/Embrapa

Resumo

Os preços da arroba do boi gordo atingiram níveis recordes reais, proporcionando melhora significativa nas contas do pecuarista terminador em abril, com a menor quantidade de arrobas necessárias para compra de bezerro nos últimos 12 meses.

O Indicador Boi Gordo CEPEA/ESALQ em São Paulo apresenta média de R$ 363,82 em abril, representando avanço real de 13% em relação a janeiro e de 14% em relação a abril do ano anterior, ficando apenas um Real abaixo do recorde histórico registrado em novembro de 2011.

A relação de troca favorável reflete oferta restrita de animais prontos para abate e demanda firme, sustentando cotações elevadas e beneficiando produtores, enquanto o repasse dos preços ao consumidor ocorre com atraso e o monitoramento dos indicadores auxilia o planejamento do setor pecuário.

Os preços da arroba do boi gordo atingiram patamares recordes reais, o que resultou em uma melhora significativa nas contas do pecuarista terminador em abril. Mesmo com a valorização constante do bezerro, a quantidade de arrobas de boi gordo necessárias para a compra de um animal de reposição é a menor registrada nos últimos 12 meses.

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Nesta parcial de abril, o Indicador Boi Gordo CEPEA/ESALQ, referente ao estado de São Paulo, apresenta uma média de R$ 363,82. Esse valor representa um avanço real de 13% em comparação ao mês de janeiro e de 14% em relação a abril de 2025.

De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a média atual está apenas um Real abaixo do recorde histórico registrado em novembro de 2011, quando o valor deflacionado atingiu R$ 364,82. O pecuarista terminador é aquele que compra o animal magro ou bezerro para realizar a engorda final antes do abate.

Relação de troca e custo do bezerro

A melhora no poder de compra do produtor paulista é explicada pela relação de troca favorável. Atualmente, são necessárias 9,12 arrobas de boi gordo para adquirir um bezerro em Mato Grosso do Sul. Em abril do ano passado, o produtor precisava desembolsar 8,71 arrobas para a mesma operação.

O bezerro (animal nelore de 8 a 12 meses) também registra alta, com média de R$ 3.316,71 em abril. O valor é 7,43% superior ao de janeiro de 2026 e 19,45% maior que o de abril de 2025. Apesar da subida, o preço do animal de reposição ainda está distante do seu recorde real de R$ 3.610,13, observado em abril de 2021.

A relação de troca é um indicador essencial no agronegócio, pois mostra quanto de um produto (neste caso, a arroba do boi) é necessário para comprar outro insumo ou animal (o bezerro). Quando essa relação diminui, o pecuarista tem uma margem de lucro maior, pois seu custo de reposição do rebanho cai proporcionalmente ao valor de venda do animal terminado.

Impacto no mercado pecuário

Especialistas do setor indicam que o cenário atual de preços elevados da arroba reflete uma oferta restrita de animais prontos para o abate e uma demanda firme, tanto no mercado interno quanto para exportação. Esse equilíbrio sustenta as cotações em níveis elevados, favorecendo quem tem animais para entregar aos frigoríficos.

Para o consumidor final, o movimento nos preços da arroba no campo costuma ser repassado para o varejo com algum atraso, dependendo da dinâmica de estoques e do consumo de carne bovina nas cidades. O monitoramento constante dos indicadores do Cepea ajuda o produtor a decidir o melhor momento para negociar sua produção e planejar a reposição do rebanho.