
Cultivo de cannabis pode render US$ 9 mil por hectare e superar a soja
Reprodução/Pixabay
O cultivo de Cannabis no Brasil segue restrito aos fins medicinais, farmacêuticos e de pesquisa científica. Apesar das limitações regulatórias, cresce o debate sobre as oportunidades econômicas que uma flexibilização da produção poderia trazer para uma potência agrícola como o país.
Uma das experiências mais citadas é a do Uruguai, pioneiro em transformar a regulamentação da planta em um mercado rentável.
É justamente essa bagagem que pauta a ExpoCannabis 2026, considerada a maior feira de negócios, ciência e cultura sobre o tema na América Latina. Franquia oficial do evento uruguaio, a feira chega à sua 4ª edição como o principal ponto de encontro do setor em solo nacional.
Em um encontro preparatório no Consulado do Uruguai, especialistas se reuniram para debater o avanço do cultivo no Brasil e no mundo, além do impacto financeiro e industrial dessas transformações.
Potencial financeiro e ganhos por hectare
A CEO da ExpoCannabis 2026, Larissa Uchida, enfatizou a rentabilidade da planta e o impacto econômico que o cultivo pode gerar para os produtores agrícolas brasileiros, comparando a cultura com commodities já consolidadas.
"When o produtor analisa o lucro líquido por hectare, a diferença é marcante: enquanto na soja obtém-se em torno de R$ 3 mil por hectare cultivado, na cannabis esse valor pode chegar a US$ 9 mil de lucro líquido por hectare", destaca ela em entrevista ao Band.com.br.
A executiva avalia que o país reúne vocação e condições favoráveis para liderar a produção global da lavoura com o avanço da regulamentação.
"Tenho convicção de que, com essa abertura e a possibilidade de cultivo local, o Brasil tem reais condições de se tornar um dos maiores produtores do mundo", afirma a organizadora.
Cadeia industrial e impacto econômico
Além das aplicações em saúde, o aproveitamento industrial do vegetal atinge setores como alimentos, tecidos, construção civil, biocombustíveis e bioplásticos.
"A discussão vai muito além do remédio e do acesso à saúde. Estamos falando de toda uma cadeia industrial que pode ser impactada pelo cultivo da cannabis", salientou Larissa Uchida, prevendo a presença de até 50 mil pessoas na edição de 2026 do evento.
O mercado canabinoide no país movimenta cerca de R$ 1 bilhão em vendas de produtos, além de mobilizar serviços de logística, marketing e assessoria jurídica.
O CEO da Kaya Mind, Thiago Cardoso, ressalta que mais de 600 empresas atuam na importação e distribuição nacional, além de citar o papel da rentabilidade para quebrar barreiras no setor produtivo.
"Grupos que hoje se opõem tendem a mudar de posição quando perceberem o impacto financeiro prático que isso pode trazer", projeta Cardoso.
O especialista acrescenta que uma regulamentação do plantio nacional permitiria elevar a arrecadação de tributos, direcionando verbas para a saúde, o sistema carcerário e a reparação histórica de populações afetadas pela proibição.
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