
Agência de Notícias Embrapa
Resumo
A produção brasileira de morangos atingiu 187,8 mil toneladas em 2023, colocando o país na nona posição mundial, mas ainda insuficiente para suprir a demanda interna, com consumo médio de 925 gramas por pessoa ao ano e participação de apenas 3% na cesta de frutas das famílias.
O cultivo nacional é majoritariamente realizado por pequenos e médios produtores familiares, com predominância da variedade San Andreas, e passa por modernização com adoção de técnicas como o sistema semi-hidropônico e introdução de novas variedades importadas, além de expansão para diferentes estados.
Desafios como sensibilidade da fruta ao manejo e transporte, baixa certificação das mudas e presença de pragas limitam a produtividade, mas o aumento de 37% na área plantada e o avanço tecnológico indicam potencial de crescimento do consumo e, futuramente, de exportações.
O Brasil ocupa a nona posição no ranking mundial de produção de morangos, mas ainda não consegue atender totalmente à demanda do mercado interno. Em 2023, o país produziu 187,8 mil toneladas da fruta, segundo dados da Embrapa, o que representa um consumo médio de cerca de 925 gramas por pessoa ao ano.
Apesar do volume significativo, o morango ainda tem participação pequena na cesta de frutas das famílias brasileiras. A fruta representa cerca de 3% do consumo total, percentual bem inferior ao observado em países como os Estados Unidos, onde chega a 60%, de acordo com levantamento do Senac divulgado antes da pandemia.
Para especialistas do setor, o cenário pode mudar nos próximos anos com a chegada de novas variedades da fruta e a modernização das técnicas de cultivo.
Novas variedades podem ampliar produção
Segundo o engenheiro agrônomo e consultor especializado em morango Ronaldo Herculano de Lima, o Brasil ainda produz menos do que o mercado interno demanda. Um dos fatores é o uso predominante de variedades consideradas antigas.
Atualmente, cerca de 85% das lavouras brasileiras utilizam a variedade San Andreas, conhecida pela resistência, mas não necessariamente pelo sabor mais doce. Outras variedades, como Camarosa e Albion, também são cultivadas em algumas regiões, embora em menor escala.
A expectativa é que a introdução de novos cultivares, principalmente provenientes de viveiros do Chile, da Espanha e do estado norte-americano da Flórida, contribua para mudanças na produção brasileira nos próximos três a cinco anos. As novas variedades tendem a apresentar melhor sabor e maior resistência no pós-colheita.
No cenário global, os maiores produtores de morango são China, Estados Unidos, Egito, Turquia, México, Espanha, Rússia e Polônia, além do Brasil, de acordo com dados de 2023 da FAOSTAT, base estatística da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Produção ainda é majoritariamente familiar
No Brasil, a produção de morangos ocorre principalmente em propriedades familiares de pequeno e médio porte. Mesmo assim, o setor vem passando por um processo gradual de profissionalização, impulsionado pelo uso de novas tecnologias e melhorias logísticas.
Entre as principais mudanças está a expansão do cultivo semi-hidropônico, feito em estufas com uso de substratos em vez de solo. A técnica oferece maior controle sobre o ambiente de cultivo e melhora a segurança da produção, embora exija investimentos mais altos.
Atualmente, cerca de 40% das plantações brasileiras utilizam esse sistema. No Sul do país, ele já é predominante, enquanto no Sudeste ainda prevalece o cultivo direto no solo.
A tecnologia também contribuiu para expandir a produção para regiões que antes não cultivavam a fruta. Hoje há produtores, além de São Paulo e Minas Gerais — responsáveis por cerca de metade da produção nacional —, em estados como Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Ceará e no Distrito Federal.
Qualidade e manejo são desafios
O morango é considerado uma cultura sensível, tanto no cultivo quanto no armazenamento. A fruta precisa ser colhida e transportada com cuidado, pois o tempo fora de refrigeração influencia diretamente sua durabilidade nas prateleiras.
Com embalagens adequadas e controle de temperatura, o morango pode permanecer até sete dias à venda. Em condições menos controladas, a vida útil média cai para cerca de três dias.
Outro desafio está na qualidade das mudas. Estima-se que aproximadamente 80% das plantas utilizadas no país sejam multiplicadas informalmente pelos próprios produtores, sem certificação genética ou sanitária, o que pode afetar a produtividade.
Além disso, pragas e doenças também exigem atenção constante, como o ácaro, o oídio e a mosca-da-fruta, presentes em diversas regiões produtoras.
Área cultivada cresce no país
Mesmo com os desafios, a produção brasileira de morango tem crescido na última década. Dados da Embrapa mostram que a área plantada aumentou cerca de 37% em dez anos.
Em 2014, o país tinha aproximadamente 3,5 mil hectares cultivados e produzia 112 mil toneladas da fruta. Em 2023, a área chegou a 4,8 mil hectares e a produção alcançou 187,8 mil toneladas.
Para especialistas, o aumento da qualidade das variedades e melhorias na logística de produção e distribuição podem ampliar o consumo no mercado interno e, no futuro, abrir espaço também para exportações. Antes disso, no entanto, o setor ainda precisa consolidar ganhos de produtividade e ampliar a oferta para o próprio mercado brasileiro.
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