
Rio Tietê, em Salto (SP) tem altos níveis de poluição
Divulgação/SOS Mata Atlântica
Uma pesquisa inédita realizada pela Fundação SOS Mata Atlântica detectou a presença de 25 tipos de defensivos agrícolas em amostras de água coletadas ao longo do rio Tietê. O estudo, feito em parceria com universidades e o Instituto Itaúsa, monitorou 14 pontos diferentes do rio e mapeou substâncias como herbicidas, fungicidas e inseticidas aplicados em culturas agrícolas da bacia. As coletas de água ocorreram durante uma expedição realizada no ecossistema paulista.
A análise laboratorial detalhou que nenhum trecho monitorado ficou livre de resíduos químicos. Defensivos utilizados no manejo de grandes culturas, como cana-de-açúcar, soja e citros, aparecem dispersos pela água. De acordo com os pesquisadores da entidade, os compostos Tebutiurom e Clomazona foram os mais frequentes, identificados em 100% dos pontos amostrados na bacia hidrográfica.
Os dados técnicos da expedição servem de alerta para a qualidade dos recursos hídricos e para os modelos de manejo na agricultura paulista. O resultado do mapeamento mostra que o sistema de monitoramento identificou defensivos agrícolas inclusive na área de cabeceira do rio, considerada a região mais preservada.
Alerta sobre o uso de atrazina
Entre os principais problemas apontados pela equipe técnica, destaca-se a presença do herbicida atrazina em níveis superiores ao limite máximo permitido pela legislação brasileira. A substância é alvo de restrições internacionais e banida na União Europeia devido aos riscos associados à saúde humana e ao equilíbrio do meio ambiente. No rio Tietê, o composto superou as concentrações regulamentares em diferentes pontos de monitoramento.
A poluição observada na nascente do rio Tietê, localizada no município de Salesópolis, surpreendeu os cientistas pela detecção precoce de inseticidas e herbicidas. Além dos compostos químicos da atividade rural, os pesquisadores mapearam resíduos urbanos, como microplásticos em todos os pontos, e outras 16 substâncias extras, incluindo remédios e drogas ilícitas, como a cocaína.
Os resultados formais da pesquisa foram levados a debate público na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Durante o lançamento oficial do relatório, parlamentares e cientistas avaliaram as necessidades de modernização regulatória e fiscalização na bacia hidrográfica. Organizações do setor apontam que a dispersão dos resíduos exige a aplicação rigorosa de técnicas como o plantio direto (sistema de manejo que preserva a cobertura do solo sem revolvimento) para evitar o escoamento de defensivos para as calhas dos rios paulistas

