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Estudo inédito aponta presença de 25 tipos de pesticidas no rio Tietê

Expedição da Fundação SOS Mata Atlântica mapeia contaminação por defensivos agrícolas em 14 pontos analisados na bacia paulista

Da redação
DA REDAÇÃO

10/07/2026 • 07:30 • Atualizado em 10/07/2026 • 15:13

Rio Tietê, em Salto (SP) tem altos níveis de poluição

Rio Tietê, em Salto (SP) tem altos níveis de poluição

Divulgação/SOS Mata Atlântica

Uma pesquisa inédita realizada pela Fundação SOS Mata Atlântica detectou a presença de 25 tipos de defensivos agrícolas em amostras de água coletadas ao longo do rio Tietê. O estudo, feito em parceria com universidades e o Instituto Itaúsa, monitorou 14 pontos diferentes do rio e mapeou substâncias como herbicidas, fungicidas e inseticidas aplicados em culturas agrícolas da bacia. As coletas de água ocorreram durante uma expedição realizada no ecossistema paulista.

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A análise laboratorial detalhou que nenhum trecho monitorado ficou livre de resíduos químicos. Defensivos utilizados no manejo de grandes culturas, como cana-de-açúcar, soja e citros, aparecem dispersos pela água. De acordo com os pesquisadores da entidade, os compostos Tebutiurom e Clomazona foram os mais frequentes, identificados em 100% dos pontos amostrados na bacia hidrográfica.

Os dados técnicos da expedição servem de alerta para a qualidade dos recursos hídricos e para os modelos de manejo na agricultura paulista. O resultado do mapeamento mostra que o sistema de monitoramento identificou defensivos agrícolas inclusive na área de cabeceira do rio, considerada a região mais preservada.

Alerta sobre o uso de atrazina

Entre os principais problemas apontados pela equipe técnica, destaca-se a presença do herbicida atrazina em níveis superiores ao limite máximo permitido pela legislação brasileira. A substância é alvo de restrições internacionais e banida na União Europeia devido aos riscos associados à saúde humana e ao equilíbrio do meio ambiente. No rio Tietê, o composto superou as concentrações regulamentares em diferentes pontos de monitoramento.

A poluição observada na nascente do rio Tietê, localizada no município de Salesópolis, surpreendeu os cientistas pela detecção precoce de inseticidas e herbicidas. Além dos compostos químicos da atividade rural, os pesquisadores mapearam resíduos urbanos, como microplásticos em todos os pontos, e outras 16 substâncias extras, incluindo remédios e drogas ilícitas, como a cocaína.

Os resultados formais da pesquisa foram levados a debate público na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Durante o lançamento oficial do relatório, parlamentares e cientistas avaliaram as necessidades de modernização regulatória e fiscalização na bacia hidrográfica. Organizações do setor apontam que a dispersão dos resíduos exige a aplicação rigorosa de técnicas como o plantio direto (sistema de manejo que preserva a cobertura do solo sem revolvimento) para evitar o escoamento de defensivos para as calhas dos rios paulistas

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