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China supera Brasil na produção de tambaqui e caso vira tema de carnaval

País asiático utiliza alta tecnologia e escala industrial para liderar mercado global do peixe amazônico; tradicional Banda da Bica, de Manaus (AM) ironiza situação em ensaio nesta quinta (22)

VIVIANE TAGUCHI

22/01/2026 • 15:35 • Atualizado em 22/01/2026 • 15:35

Tambaqui é nativo do Brasil, mas China lidera a produção

Tambaqui é nativo do Brasil, mas China lidera a produção

Fapeam

Resumo

A liderança chinesa na produção do peixe amazônico tambaqui foi alcançada após investimentos em inovação e tecnologia, com integração de modelos intensivos, melhoramento genético e cadeias logísticas eficientes, tornando a China o maior produtor mundial da espécie.

A referência técnica e científica do tambaqui permanece com o Brasil, que detém os principais bancos genéticos, domina técnicas de reprodução induzida e larvicultura, e se destaca como polo de desenvolvimento de conhecimento aplicado à piscicultura tropical.

A repercussão cultural do avanço chinês na produção do tambaqui foi tema da Banda da Bica no carnaval de Manaus, onde a marchinha “A Bica não é ching ling, mas o tambaqui agora fala mandarim” utiliza humor e crítica para discutir a mudança no cenário produtivo e a valorização do símbolo regional.

Um peixe nativo da amazônia ganhou escala de produção na China após investimentos maciços em inovação e tecnologias. De acordo com o Ministério da Pesca e Aquicultura e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), órgãos que contribuíram para disseminar a tecnologia aos chineses, hoje, os asiáticos são os que mais produzem o tambaqui, peixe genuinamente brasileiro, no mundo. E o fato se tornou até tema de carnaval da tradicional Banda da Bica, que realizou seu primeiro ensaio nesta quinta-feira (22), no Centro Histórico de Manaus (AM).

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A liderança chinesa na produção de tambaqui é fruto de um modelo focado em escala e tecnologia. Por meio de programas de introdução controlada e melhoramento genético constante, o país asiático integrou a espécie à sua matriz produtiva. O cultivo ocorre em sistemas que variam de tanques escavados a estruturas de alta tecnologia, operando em modelos intensivos e semi-intensivos.

Diferente do que acontece no Brasil, a China aposta em cadeias logísticas integradas e um alto nível de processamento industrial. Isso garante uma oferta contínua de produtos com valor agregado, como filés e congelados, prontos para o mercado internacional. Na zootecnia (ciência que estuda a criação e reprodução de animais), o tambaqui é valorizado pelo crescimento rápido e pela "rusticidade", que é a capacidade do peixe de resistir a variações ambientais e doenças.

Brasil mantém soberania genética do tambaqui

Apesar de perder o posto em volume de produção, o Brasil é a principal referência técnica e científica da espécie. O país detém os maiores bancos genéticos e domina as técnicas de reprodução induzida e larvicultura (fase inicial de desenvolvimento dos peixes).

Especialistas do setor destacam que a carne branca e o sabor suave do tambaqui garantem alta aceitação comercial. Enquanto a China redefine o equilíbrio da produção global com foco na indústria, o Brasil permanece como o polo gerador de conhecimento aplicado à piscicultura tropical, mantendo uma posição estratégica no desenvolvimento de novas tecnologias para o setor.

"Tambaqui fala mandarim": crítica e humor no carnaval

A realidade econômica chegou ao carnaval amazonense com a marchinha “A Bica não é ching ling, mas o tambaqui agora fala mandarim”. O tema utiliza o humor para refletir sobre a perda da soberania produtiva de um símbolo da culinária regional para o mercado asiático.

"A escolha mantém a tradição crítica e bem-humorada do bloco", explica Ana Cláudia Soeiro, presidente da Banda da Bica. O evento desta quinta-feira terá como atração Rosivaldo e os Metais de Olinda, com entrada gratuita. A composição da marchinha é assinada por Simão Pessoa, Junior Rodrigues e Pedro Donadio, transformando o dado econômico em manifesto cultural.

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