Agroband

Chuva e colheita do café: umidade preocupa produtores no Paraná e em SP

Instabilidade climática nas principais regiões cafeeiras do Brasil acende alerta para a qualidade dos grãos de arábica, enquanto Sul de Minas Gerais segue com tempo seco

Da redação
DA REDAÇÃO

20/05/2026 • 10:03 • Atualizado em 20/05/2026 • 10:03

Trilux

Resumo

A colheita do café arábica no Brasil avança lentamente, com destaque para a preocupação dos produtores devido ao clima instável, especialmente pelas chuvas recentes em São Paulo e Paraná, que podem comprometer a qualidade dos grãos segundo o Cepea.

O excesso de umidade nas lavouras provoca riscos de fermentação indesejada dos grãos, prejudica o sabor e valor de mercado, dificulta o uso de máquinas, aumenta custos e reduz a eficiência da colheita, enquanto no Sul de Minas Gerais as condições climáticas permanecem mais favoráveis.

A umidade elevada após a maturação aumenta os riscos de defeitos nos grãos, atrasos na colheita mecanizada elevam a exposição a pragas e fungos, e o setor monitora o clima esperando tempo firme para evitar maiores perdas na produção de cafés especiais.

A colheita do café arábica avança nas principais regiões produtoras do Brasil, mas o clima instável tem tirado o sono dos cafeicultores. De acordo com dados do Centro de Pesquisas Avançadas em Economia Aplicada (Cepea), as recentes chuvas registradas em São Paulo e no Paraná podem comprometer a qualidade de parte dos grãos desta safra.

Compartilhar

O cenário exige atenção redobrada, pois a umidade excessiva interfere diretamente no processamento pós-colheita. Embora a chuva seja benéfica para as lavouras mais tardias e ajude no desenvolvimento da próxima safra, o impacto imediato na colheita atual é negativo em pontos específicos do cinturão produtor.

Impactos na qualidade e logística de colheita

No norte do Paraná, pesquisadores do Cepea já identificaram uma pequena baixa na qualidade do café devido às precipitações recentes. O excesso de água nesta fase pode provocar a fermentação indesejada dos grãos, alterando o sabor e o valor de mercado do produto final.

A situação também é delicada em Marília, no interior de São Paulo. As chuvas volumosas na região preocupam os produtores porque molham os grãos que já caíram ao solo. Esse fator dificulta o trabalho das máquinas, prejudicando a eficiência da colheita mecanizada e aumentando os custos operacionais no campo.

Diferente do cenário observado nos estados vizinhos, o Sul de Minas Gerais apresenta condições mais favoráveis. Agentes consultados pelo Cepea indicam que as chuvas na região mineira devem ter volume reduzido, o que não deve causar danos significativos à safra local neste momento.

Entenda os riscos da umidade no café

Para o público geral, é importante entender que o café arábica é uma cultura extremamente sensível ao clima durante a colheita. Quando os grãos enfrentam muita umidade após atingirem o ponto de maturação, o risco de "bebida dura" ou defeitos físicos aumenta consideravelmente.

Além disso, a dificuldade na colheita mecanizada em solos encharcados pode atrasar o cronograma das fazendas. O atraso na retirada do fruto do pé ou do chão expõe o café a pragas e fungos, o que impacta diretamente a oferta de cafés especiais, conhecidos pelo maior valor agregado.

O setor segue monitorando as previsões meteorológicas para os próximos dias. A expectativa é que o tempo firme retorne às áreas afetadas para garantir que a colheita do café arábica, um dos principais pilares do agronegócio brasileiro, possa prosseguir sem maiores perdas de qualidade.

Tópicos relacionados