
Erva-mate tem safra bilionária no Brasil
José Fernando Ogura/AEN
O Paraná consolidou sua posição como o maior produtor de erva-mate do Brasil na safra 2024/2025. A produção de erva-mate no Brasil, produto que foi chamado de “ouro verde” nos anos 1930, está movimentando o agronegócio e entra em um novo ciclo de expansão. O impacto econômico já é bilionário. Apenas em 2024, a cadeia produtiva alcançou um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 1,3 bilhão.
Iniciativas atuais focam em três pilares: reposicionamento da marca, conquista do mercado internacional e inovação tecnológica. A meta é garantir maior lucro para quem cultiva. Dados do Departamento de Agricultura do Estado, o Deral, apontam que a região registrou um crescimento de 5,2% no volume de erva-mate produzido. Esse desempenho supera o ritmo de expansão de vizinhos tradicionais no setor. No mesmo período, o Rio Grande do Sul cresceu 4,6% e Santa Catarina registrou alta de 2,5%.
Segundo o relatório do Deral, a liderança no campo é impulsionada por polos regionais fortes. Apenas 10 municípios do Paraná são responsáveis por cerca de 47% de toda a produção nacional da cultura. As cidades de Cruz Machado e São Mateus do Sul são os grandes destaques. Juntas, elas somaram mais de 150 mil toneladas colhidas recentemente.
Cruz Machado lidera o ranking com 88 mil toneladas. Já São Mateus do Sul entregou 63 mil toneladas, reafirmando a força do agronegócio na região Sul.
A força gaúcha na exportação
Dados do Comex Stat indicam que o estado gaúcho responde por mais de 80% das exportações brasileiras de erva-mate. O município de Encantado, no Rio Grande do Sul, destaca-se como um dos principais polos exportadores e industriais do setor. Essa divisão de tarefas regional mostra uma cadeia produtiva integrada. Enquanto um estado foca na produção de folha, o outro lidera o beneficiamento para fora do país.
No acumulado de 2024, o Brasil exportou 49.182 toneladas de erva-mate. Esse volume representa uma alta expressiva de 19% em relação ao ano anterior.
Destinos e demanda internacional
O mercado externo tem mostrado um apetite crescente pelo produto brasileiro. O Uruguai permanece como o principal parceiro comercial, absorvendo cerca de 70% das exportações nacionais. A preferência uruguaia se deve ao hábito cultural do mate, muito similar ao consumo no Rio Grande do Sul. Além do vizinho sul-americano, outros mercados começam a ganhar relevância na pauta de exportações.
Países como Síria, Alemanha e Estados Unidos aparecem como destinos importantes, diversificando a carteira de clientes do agronegócio brasileiro. Ainda assim, o mercado interno continua sendo o grande sustentáculo da cadeia. A maior parte da produção nacional não sai do país. Ela é consumida internamente, tanto na forma de chimarrão (água quente) quanto de tereré (água fria) e chás.
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