Agroband

Etanol cai mais de 3% em SP com baixa demanda e espera por nova safra

Preços do hidratado e anidro recuam no mercado spot paulista; setor aguarda início do ciclo produtivo e projeta maior oferta de combustível

Da redação
DA REDAÇÃO

03/03/2026 • 10:25 • Atualizado em 03/03/2026 • 10:25

José Cruz/Agência Brasil

Resumo

Queda acentuada nos preços dos etanóis hidratado e anidro marcou a última semana de fevereiro no mercado spot paulista, com variações negativas superiores a 3% segundo o Cepea, impulsionadas por ritmo de negócios reduzido e demanda enfraquecida.

Indicadores CEPEA/ESALQ registraram o etanol hidratado a R$ 2,8462 por litro (queda de 3,33%) e o etanol anidro a R$ 3,2256 por litro (recuo de 3,84%), com desvalorização persistente devido à baixa participação das usinas vendedoras e ao leve, porém insuficiente, aquecimento na procura ao final do período.

Expectativas para o novo ciclo produtivo concentram-se em um possível "mix mais alcooleiro" nas usinas de cana-de-açúcar, enquanto agentes compradores pressionam por preços menores no mercado spot e a queda pode demorar a chegar ao consumidor final por causa do repasse das distribuidoras e dos estoques existentes.

A última semana de fevereiro encerrou com uma queda acentuada nos preços dos etanóis hidratado e anidro no mercado spot do estado de São Paulo. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as variações negativas superaram os 3% no período.

Compartilhar

O movimento foi reflexo de um ritmo de negócios reduzido e de uma demanda que ainda apresenta sinais de enfraquecimento.

Indicadores Cepea e variações de preço

Entre os dias 23 e 27 de fevereiro, o Indicador CEPEA/ESALQ para o etanol hidratado no estado de São Paulo foi de R$ 2,8462 por litro (valor líquido de ICMS e PIS/Cofins). O número representa uma baixa de 3,33% em comparação ao período anterior.

No caso do etanol anidro, o recuo foi ainda mais expressivo, fechando a R$ 3,2256 por litro (valor líquido de impostos, sem PIS/Cofins). A queda para o biocombustível misturado à gasolina foi de 3,84% no mesmo comparativo semanal.

A desvalorização ocorre em um contexto de baixa participação das usinas no lado vendedor. Embora pesquisadores do Cepea tenham observado um leve aquecimento na procura entre quinta e sexta-feira, o volume não foi suficiente para estancar os recuos diários registrados ao longo da semana.

Expectativa para o novo ciclo produtivo

O mercado de combustíveis vive um momento de transição e cautela. De acordo com especialistas da editoria de Agronegócio da Band, o setor aguarda o início do próximo ciclo produtivo nas usinas de cana-de-açúcar. Existe uma expectativa crescente de que a nova safra apresente um "mix mais alcooleiro".

No jargão do agronegócio, o termo "mix alcooleiro" refere-se à decisão das usinas de destinar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de etanol em vez de açúcar. Essa estratégia costuma ser adotada quando os preços do combustível ou a demanda interna projetada oferecem margens de lucro mais atrativas em comparação às exportações de açúcar no mercado internacional.

Impacto no mercado spot

É importante destacar que as quedas reportadas referem-se ao mercado spot, que é o ambiente de negociação onde a entrega do produto e o pagamento ocorrem de forma imediata ou em curtíssimo prazo. Para o consumidor final, a queda nas usinas pode demorar alguns dias para ser refletida nas bombas dos postos, dependendo do repasse das distribuidoras e dos estoques antigos.

Com o enfraquecimento da demanda nas últimas semanas, os agentes compradores têm pressionado por valores menores, aproveitando o período de entressafra para ajustar as margens antes da entrada oficial da safra nova.

Tópicos relacionados