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Exportações do agronegócio representam metade das vendas do Brasil em maio

Levantamento da CNM mostra que o setor faturou US$ 16 bilhões no mês, impulsionado pela soja e carne bovina, alcançando 1.496 municípios

Da redação
DA REDAÇÃO

07/06/2026 • 12:05 • Atualizado em 07/06/2026 • 12:05

Complexo da soja foi o grupo que mais impulsionou as exportações no período

Complexo da soja foi o grupo que mais impulsionou as exportações no período

R.R Rufino/Embrapa

As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 16 bilhões em maio, o que corresponde a 50,2% de todas as vendas externas do país no período. O resultado, obtido por meio de um levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), representa um crescimento de 8,2% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

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A arrecadação do setor ajuda a descentralizar a riqueza pelo território nacional. Ao todo, 1.496 municípios brasileiros registraram embarques de produtos do campo no mês, consolidando uma expansão de 2,3% na comparação anual e gerando emprego diretamente nas economias locais.

O município de Rio Verde, em Goiás, liderou os resultados locais com um faturamento de US$ 300,8 milhões no período. O desempenho da cidade é impulsionado principalmente pelo comércio de soja em grãos para o mercado internacional.

No acumulado entre janeiro e maio de 2026, as vendas externas do setor totalizaram US$ 70,55 bilhões. Esse montante indica uma alta de 4,6% sobre o mesmo período observado em 2025.

Com importações de produtos agropecuários na casa de US$ 1,61 bilhão no mês, o setor registrou uma queda de 3,6% frente ao mesmo período do ano anterior. O acumulado do ano atingiu US$ 62,3 bilhões de saldo positivo na balança comercial (diferença entre o total exportado e o importado). O agronegócio respondeu por 47,5% de todas as vendas externas brasileiras nos primeiros cinco meses.

Principais produtos e estados líderes do campo

A soja em grãos manteve a liderança isolada na pauta de exportações do país. Apenas no mês de abril, a commodity (produto básico de valor internacional) movimentou US$ 6,31 bilhões, registrando alta de 14,6% e sendo o principal item de 169 municípios.

Em segundo lugar, a carne bovina in natura gerou US$ 1,7 bilhão para o país. O produto registrou uma disparada de 50,2% no faturamento em relação ao ano anterior, impulsionada por um aumento de 25% no preço médio pago pelo mercado global.

O farelo de soja fechou o pódio dos produtos mais vendidos, alcançando US$ 954,2 milhões. O valor representa um aumento de 20,7% no comparativo com o mesmo período do ano anterior.

Entre os estados, o Mato Grosso liderou os embarques com US$ 3,14 bilhões em maio, distribuídos por 80 municípios exportadores. O volume representa uma participação de 19,6% em todo o total comercializado pelo campo brasileiro.

O estado de São Paulo ocupou a segunda posição, com US$ 2,32 bilhões registrados em maio. O agronegócio paulista destacou-se pela diversificação de sua produção, com 323 municípios enviando 317 produtos agropecuários diferentes para o exterior.

Parceiros comerciais e alerta tarifário nos Estados Unidos

A China segue como o maior parceiro comercial do campo brasileiro, absorvendo US$ 6,28 bilhões das vendas registradas em abril. O país asiático foi o principal comprador de produtos agrícolas provenientes de 274 municípios exportadores.

Os Estados Unidos mantiveram a segunda posição entre os destinos, faturando US$ 837 milhões em maio. Apesar do volume, o mercado norte-americano registrou uma queda acentuada de 28% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Um sinal de alerta permanece ligado para os produtores nacionais devido às sobretaxas tarifárias (impostos adicionais de importação) americanas. Nos últimos 12 meses, o acumulado de vendas para o país totalizou US$ 9,8 bilhões, uma queda de 25,2%.

As barreiras econômicas prejudicaram especialmente os setores de processamento de madeira, café, cana-de-açúcar e suco de laranja. O segmento florestal relacionado à madeira caiu 37,7%, impactando exportadores do Paraná e de Santa Catarina.

Essa retração afeta diretamente o mercado de trabalho nacional do agronegócio. A indústria de transformação florestal apresentou um saldo negativo de 10 mil vagas com carteira assinada no período entre junho de 2025 e abril de 2026.

Os municípios localizados nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina concentram metade dos postos de trabalho fechados no setor nos últimos 11 meses. Por outro lado, as importações de trigo lideraram a pauta de compras do país, somando US$ 134,2 milhões.