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Fávaro minimiza tarifa chinesa sobre carne bovina: ‘Não é tão preocupante’

Pequim anunciou que irá impor uma tarifa adicional de 55% sobre importações de carne bovina que receberam os níveis de cota dos principais países fornecedores, incluindo Brasil, Austrália e EUA

CAIÃ MESSINA

31/12/2025 • 12:41 • Atualizado em 31/12/2025 • 12:41

Bastidores de Brasília
Carlos Fávaro, ministro da agricultura

Carlos Fávaro, ministro da agricultura

Mapa

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, declarou nesta quarta-feira (31) que o anúncio da China de impor tarifas sobre a carne bovina brasileira “não é algo tão preocupante”.

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Pequim anunciou que irá impor uma tarifa adicional de 55% sobre importações de carne bovina que receberam os níveis de cota dos principais países fornecedores, incluindo Brasil, Austrália e Estados Unidos, em uma medida para proteger o setor pecuário doméstico, que está lentamente saindo do excesso de oferta.

“Então, a salvaguarda para a carne bovina na China é algo que já vinha sendo anunciado e preparado pelo governo chinês há pelo menos um ano. O intuito, segundo eles, o ministro da do comércio me anunciou, seria de proteger a produção local, estabelecendo cotas com as tarifas atuais para o mundo inteiro. Portanto, não há discriminação com nenhum país do mundo, em especial ao Brasil, mas com o intuito de proteger a produção local”, disse Fávaro.

“É óbvio que 2024 foi um ano de grande expansão. Passamos de 50% das exportações da carne bovina para a China (...). Mas, de um modo geral, não é algo tão preocupante, porque nós trabalhamos muito para ampliação dos mercados”.

Segundo o ministro, o governo Lula abriu 20 mercados para carne bovina por todo o mundo. “Portanto, o Brasil está relativamente preparado para intempéries comerciais”.

Carlos Fávaro pontuou que, agora, começará uma fase de negociação. O ministro também reforçou que a relação Brasil-China “nunca esteve tão boa e assim vai continuar”.

Entenda

Em 2024, a China importou 1,34 milhão de toneladas de carne bovina do Brasil, 594.567 toneladas da Argentina, 243.662 toneladas do Uruguai, 216.050 toneladas da Austrália, 150.514 toneladas da Nova Zelândia e 138.112 toneladas dos EUA.

Nos primeiros 11 meses deste ano, o Brasil embarcou 1,33 milhão de toneladas de carne bovina para a China, de acordo com dados da alfândega chinesa, bem acima dos níveis de cota estabelecidos pelas novas medidas de Pequim.

Também neste ano, os embarques australianos para a China aumentaram, ganhando participação às custas da carne bovina dos EUA, depois que Pequim, em março, permitiu que as licenças expirassem em centenas de frigoríficos norte-americanos e o presidente dos EUA, Donald Trump, desencadeou uma guerra tarifária. Os embarques norte-americanos foram de apenas 55.172 toneladas até novembro.

As exportações australianas de carne bovina para a China ficaram em 294.957 toneladas nos primeiros 11 meses de 2025.

A medida da China ocorre em um momento em que a escassez global de carne bovina faz com que os preços subam em muitas partes do mundo, inclusive para níveis recordes nos EUA.

Em resposta ao anúncio de Pequim, Mark Thomas, presidente da Western Beef Association na Austrália, disse que "há muitos outros países que aceitarão nosso produto".

Com informações da Agência Brasil

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