Resumo
O setor do agronegócio brasileiro prevê safra recorde de 350 milhões de toneladas de grãos, mas enfrenta altos custos logísticos devido à predominância do transporte rodoviário, que consome 14% do PIB e utiliza pouco as hidrovias, reduzindo o lucro dos produtores.
A matriz de transportes do Brasil é composta por quase 70% de rodovias e apenas 15% de hidrovias, resultando em custos elevados para o escoamento de grãos em comparação a países como China, onde o modal hidroviário é mais utilizado e eficiente.
A modernização das vias fluviais na Amazônia, região por onde escoam 25% da safra, encontra resistência de indígenas e sofreu suspensão de decreto federal após protestos, causando prejuízos logísticos e atrasos, enquanto exemplos internacionais demonstram ganhos de competitividade com maior uso de hidrovias.
O setor do agronegócio brasileiro projeta uma safra recorde de 350 milhões de toneladas de grãos para a atual temporada, porém enfrenta gargalos logísticos que encarecem o produto no mercado internacional. Enquanto o transporte rodoviário consome cerca de 14% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, a baixa utilização de hidrovias eleva os custos de escoamento, impactando diretamente o lucro do produtor rural.
O desequilíbrio da matriz de transportes
Atualmente, a matriz de transportes do Brasil apresenta uma dependência severa do asfalto, com quase 70% da produção sendo movimentada por caminhões. Em contrapartida, as hidrovias são responsáveis por apenas 15% do transporte nacional.
Este cenário contrasta com outros países de dimensões continentais, como a China, onde o modal hidroviário carrega cerca de 50% das mercadorias. A eficiência logística impacta diretamente no valor final: transportar grãos a granel por rodovia custa, em média, R$ 130 por tonelada a cada 1.000 km, enquanto o mesmo trajeto por hidrovia não ultrapassaria os R$ 70.
Conflitos e infraestrutura na Amazônia
A modernização das vias fluviais na região amazônica — formada pelos rios Madeira, Tocantins e Tapajós, por onde escoam 25% da safra — enfrenta obstáculos políticos e sociais. Recentemente, um decreto federal que previa estudos para conceder a exploração desses corredores à iniciativa privada foi suspenso após protestos.
Indígenas contrários ao projeto invadiram e depredaram um terminal de cargas da multinacional Cargill em Santarém, no Pará, pressionando o recuo do governo. A suspensão da medida gerou mal-estar nos ministérios da Agricultura e dos Portos, que avaliaram a decisão como um prejuízo estratégico para a logística nacional.
O exemplo internacional
O ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, ressalta que sistemas eficientes em países como o Canadá são fundamentais para o desenvolvimento industrial. No país norte-americano, a hidrovia do Rio São Lourenço possui mais de 3.700 km e conecta o Oceano Atlântico ao coração industrial da América do Norte. Cabrera aponta que, mesmo passando por áreas indígenas, essas rotas foram consolidadas para garantir a competitividade econômica.
Sem meios adequados para o escoamento, o Brasil corre o risco de perder parte das 150 milhões de toneladas de soja produzidas nas estradas ou por falta de armazenamento adequado nas fazendas. A desocupação do terminal da Cargill em Santarém foi solicitada pelos invasores com um prazo de 48 horas, mas o prejuízo logístico e o atraso nos embarques já afetam o setor.
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