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Morte de animais e destruição: temporais no RS agravam a crise leiteira

Gadolando cobra fundo federal e renegociação de dívidas para atingidos após tempestades em sequência destruírem galpões nas Missões

Da redação
DA REDAÇÃO

03/08/2026 • 16:52 • Atualizado em 03/08/2026 • 16:52

Temporal destroi instalações de fazenda leiteira no RS

Temporal destroi instalações de fazenda leiteira no RS

Divulgação/Gadolando

Dois temporais extremos registrados em um intervalo de apenas duas semanas provocam graves prejuízos em propriedades de produtores de leite no Rio Grande do Sul. As tempestades atingem as regiões Celeiro e Missões, além de municípios como Selbach e Cruz Alta, resultando na morte de animais, na destruição de galpões e no encerramento das atividades de famílias atingidas.

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A Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) alerta que a repetição dos eventos climáticos agrava a crise no campo. Em decorrência dos estragos, produtores rurais chegam a abandonar a atividade leiteira por não terem condições financeiras de reconstruir a infraestrutura perdida.

Em um dos casos acompanhados pela entidade, um produtor com mais de 40 vacas em lactação decidiu encerrar a produção. O pecuarista, que atuava no setor há mais de quatro décadas, considera inviável erguer novamente as instalações após ter galpões e equipamentos destruídos pela força do vento.

O vice-presidente administrativo da Gadolando, Nacir Penz, destaca que a sequência de tempestades impede qualquer capacidade de recuperação rápida das famílias atingidas. "Foram dois episódios em sequência, com produtores perdendo animais e estruturas. Em um dos casos, depois de mais de 40 anos na atividade, o produtor entendeu que não seria viável reconstruir tudo e decidiu encerrar a produção", relata Penz.

A perda de vacas em lactação — período em que a fêmea produz leite para a ordenha diária — representa um golpe direto no faturamento imediato das propriedades rurais. Sem os galpões de ordenha e os tanques de refrigeração, o manejo do gado torna-se inviável.

Além da perda imediata do rebanho e das benfeitorias, as famílias enfrentam o acúmulo de obrigações financeiras. Muitos produtores mantêm financiamentos bancários e contratos de crédito rural ativos para o custeio da produção, mesmo sem registrar receitas no momento.

Diante desse cenário de destruição, a Gadolando defende a criação de mecanismos permanentes de socorro financeiro voltados aos produtores rurais afetados por desastres ambientais no estado. Nacir Penz ressalta que o Rio Grande do Sul sofre com a ocorrência contínua de eventos climáticos extremos.

Para o dirigente, a manutenção das famílias na atividade leiteira exige políticas públicas de apoio contínuo e emergencial. "O Rio Grande do Sul tem sido o epicentro de catástrofes climáticas, e precisamos de uma política de apoio para que essas pessoas consigam continuar na atividade. O ganha-pão foi afetado, mas os compromissos permanecem", afirma o vice-presidente da entidade.

Entre as solicitações da associação está a inclusão imediata desses produtores nas renegociações de dívidas bancárias já aprovadas para atingidos por tragédias climáticas. A medida busca suspender temporariamente a cobrança de parcelas de financiamentos.

A Gadolando pede também que o Governo Federal evalie a implementação de um fundo especial para propriedades rurais atingidas por intempéries. O mecanismo deve cobrir danos em instalações, perda de animais e prejuízos na capacidade produtiva.