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Preço do arroz em casca trava com início da colheita e cautela no RS

Mercado brasileiro de arroz registra baixa fluidez devido aos estoques de baixo custo e expectativa sobre a nova safra gaúcha, aponta Cepea

Da redação
DA REDAÇÃO

11/02/2026 • 10:34 • Atualizado em 11/02/2026 • 10:34

Arroz com casca

Arroz com casca

Pexels

Resumo

O mercado brasileiro de arroz em casca iniciou fevereiro com negociações paralisadas devido à cautela de produtores e indústrias, influenciadas pelo início da colheita no Rio Grande do Sul, conforme dados do Cepea.

A resistência dos produtores em negociar e o uso de estoques antigos pelas indústrias mantiveram os preços estagnados, mas especialistas preveem que a necessidade de reposição de matéria-prima nas próximas semanas deve ajustar a oferta, a demanda e os preços conforme o avanço da colheita.

A dinâmica do mercado externo, com exportações favorecidas pelo câmbio e aumento das importações para suprir demandas regionais, junto ao acompanhamento dos dados da Conab e Cepea, será crucial para definir a disponibilidade de arroz no país e evitar pressão inflacionária nos próximos meses.

O mercado brasileiro de arroz em casca iniciou o mês de fevereiro com negociações travadas e baixa fluidez em diversas regiões produtoras. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), divulgados nesta quarta-feira (11), o cenário é de cautela generalizada entre produtores e indústrias, influenciado diretamente pelo início da colheita da safra 2025/2026 em áreas do Rio Grande do Sul.

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A resistência dos produtores em negociar nos patamares atuais, somada à estratégia das indústrias de utilizar estoques remanescentes, criou um ambiente de estagnação nos preços. Esse fenômeno é comum no setor agrícola quando o mercado aguarda a consolidação da oferta que vem do campo, mas o atual descompasso entre o custo de reposição e o valor final de venda tem dificultado o fechamento de novos contratos.

Estoques e reposição da indústria

A baixa movimentação dos negócios neste período deve-se, em grande parte, à existência de estoques com custos inferiores nas unidades de processamento. Essas reservas permitem que as indústrias atrasem a aceitação imediata das cotações atuais do arroz em casca, evitando repassar custos mais altos ao consumidor final de forma abrupta.

No entanto, especialistas do setor acreditam que essa situação é temporária. Nas próximas semanas, com a diminuição natural desses estoques, as indústrias precisarão retornar ao mercado para repor matéria-prima. Esse movimento deve forçar um alinhamento maior entre a oferta e a demanda, ajustando os preços de acordo com a realidade da nova safra que está entrando.

Para o produtor rural, a colheita no Rio Grande do Sul — principal estado produtor do grão no Brasil — é o fiel da balança. O avanço das máquinas nas lavouras gaúchas definirá o volume total de oferta, o que pode pressionar as cotações para baixo no curto prazo ou sustentar os preços caso a produtividade apresente gargalos climáticos.

Impacto do mercado externo e importações

Enquanto o cenário interno busca equilíbrio, o mercado externo dita o ritmo das operações no país. A valorização de commodities e a dinâmica do câmbio mantêm a exportação do arroz brasileiro atrativa, o que retira parte do excedente do mercado doméstico e ajuda a sustentar os preços mínimos para o agricultor.

Por outro lado, o Brasil também observa um avanço nas importações. Esse fluxo de entrada do grão estrangeiro serve para abastecer regiões onde o frete do Sul do país é menos competitivo ou para suprir nichos específicos de mercado. A balança entre o que sai e o que entra no país será determinante para a disponibilidade de arroz nas prateleiras dos supermercados nos próximos meses.

O acompanhamento dos dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e do próprio Cepea será fundamental para entender se o Brasil manterá sua soberania produtiva nesta safra ou se precisará recorrer de forma mais agressiva ao mercado internacional para conter a inflação do setor alimentício.

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