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Preço do feijão carioca recua em março após alta recorde em fevereiro

Dificuldade de repasse de preços ao varejo reduz demanda e pressiona cotações do grão no mercado nacional

Da redação
DA REDAÇÃO

09/03/2026 • 11:46 • Atualizado em 09/03/2026 • 11:46

Sebastião de Araújo/Embrapa

Resumo

O mercado brasileiro de feijão registrou queda nas negociações e nos preços em março, após alta recorde de 30% no feijão carioca de melhor qualidade em fevereiro, levando compradores a se afastarem de novas aquisições.

Dados do Cepea apontam dificuldade dos agentes em repassar os preços ao atacado e varejo, com consumidores resistindo aos valores elevados e demandantes priorizando a liquidação de estoques, resultando em desvalorizações pontuais para o feijão carioca nota 9, enquanto restrição de vendedores sustentou preços em algumas regiões.

Pressão sobre os lotes de feijão carioca de notas inferiores e feijão preto ocorreu devido à menor presença de compradores e maior interesse de venda, com desvalorização generalizada, influenciada pelo início da entressafra, estoques formados e perspectiva de redução da área plantada na segunda safra paranaense.

O mercado brasileiro de feijão iniciou o mês de março com um ritmo lento de negociações e queda nos preços em diversas praças produtoras. Após o feijão carioca registrar uma valorização mensal recorde de aproximadamente 30% em fevereiro para os lotes de melhor qualidade (notas 9 ou superiores), os compradores se afastaram das novas aquisições neste começo de mês.

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De acordo com dados e análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a principal causa para esse esfriamento é a dificuldade enfrentada pelos agentes em repassar as altas de preços ao setor atacadista e ao varejo. Com o consumidor final resistindo aos novos patamares de preço, os demandantes optaram por priorizar a liquidação de seus estoques atuais antes de retornar ao mercado para repor as mercadorias.

Essa redução na procura resultou em desvalorizações pontuais para o feijão carioca nota 9, embora em algumas regiões a restrição por parte dos vendedores tenha ajudado a sustentar os valores.

Pressão sobre as notas inferiores e feijão preto

Para os lotes de feijão carioca com classificações inferiores, como as notas 8 e 8,5, o cenário de pressão sobre os preços foi mais generalizado na primeira semana de março. Segundo o Cepea, a combinação de uma menor presença de compradores com um aumento no interesse de venda por parte dos produtores forçou as cotações para baixo em todas as regiões acompanhadas pelo instituto.

No mercado de feijão preto, o comportamento dos preços também tendeu à desvalorização em parte das praças devido à baixa demanda. No entanto, as negociações do grão preto seguem influenciadas por um cenário de equilíbrio entre a oferta e a demanda futura.

Entre os fatores que balizam o mercado de feijão preto atualmente, destacam-se:

  • Entrada da entressafra: O início do período de entressafra no Paraná equilibra a oferta disponível.
  • Estoques: A existência de volumes previamente formados atende parte da demanda imediata.
  • Segunda safra: Há uma perspectiva de redução da área plantada na segunda safra paranaense, o que pode impactar a oferta futura.

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