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Resumo
O mercado brasileiro de trigo registra alta nos preços no final de março, impulsionada por oferta restrita, demanda aquecida e valorização do dólar, apesar de quedas no mercado externo.
A baixa disponibilidade de trigo no mercado spot, foco dos produtores na colheita da soja e pedidos mais elevados dos vendedores contribuem para o avanço das cotações, enquanto compradores aceitam pagar mais para recompor estoques e os preços argentinos influenciam o cenário nacional.
O setor de farinhas sinaliza reajustes nos custos de produção para abril devido à alta do trigo, perspectiva de menor produção e entressafra, enquanto o mercado de farelo de trigo apresenta queda nas cotações por concorrência com farelo de soja e milho, mesmo com aumento da demanda por ração na Quaresma.
Os preços do trigo no mercado brasileiro seguem em trajetória de alta neste final de março, impulsionados por uma combinação de oferta restrita e demanda aquecida. Segundo pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o movimento de valorização ocorre mesmo diante de quedas no mercado externo, reforçado pela valorização do dólar frente ao real.
A baixa disponibilidade de trigo no mercado spot — para entrega imediata — é um dos principais fatores para o avanço dos preços. No momento, os produtores rurais brasileiros estão com o foco voltado para a colheita da soja, o que reduz o volume de trigo ofertado. Quando ativos, os vendedores têm solicitado valores mais elevados para fechar novos lotes.
Contexto do mercado e influência do câmbio
Pelo lado da demanda, os compradores permanecem ativos no mercado, buscando a recomposição de seus estoques. Em diversos casos, agentes de mercado têm aceitado pagar preços mais altos para garantir o suprimento do grão. Além da dinâmica interna, a alta dos preços argentinos, principais fornecedores externos para o Brasil, também contribui para o cenário atual.
A desvalorização do real perante o dólar atua como um catalisador adicional nesse processo. Com a moeda americana mais cara, o custo de importação do grão aumenta, o que acaba elevando o piso das cotações no mercado doméstico e favorece a competitividade do trigo nacional para exportação, embora a oferta interna esteja limitada.
Impacto no setor de farinhas e farelo
O setor industrial já sinaliza repasses nos custos de produção. Agentes de moinhos indicam reajustes positivos nos preços das farinhas para o mês de abril. Essa tendência reflete não apenas a alta atual do trigo, mas também a perspectiva de uma produção menor na próxima safra e o avanço da entressafra — período entre uma colheita e outra em que a oferta naturalmente diminui.
Em contrapartida, o mercado de farelo de trigo apresenta um comportamento distinto, com cotações em queda. Embora a Quaresma tradicionalmente eleve a demanda por ração devido ao maior consumo de pescados, a elevada oferta de farelo de soja e de milho no Brasil intensificou a concorrência entre os insumos. Segundo pesquisadores do Cepea, essa pressão dos grãos substitutos é o que mantém os preços do farelo de trigo em patamares mais baixos.
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