
Pintinho macho é eliminado em granjas de postura, mas tecnologia pode evitar descartes
CNA/Trilux
O Brasil acelera o debate para implementar a sexagem in ovo na avicultura de postura, alternativa tecnológica que identifica o sexo do embrião ainda durante a incubação e promete encerrar o descarte de pintinhos machos. O tema reuniu representantes do governo, da indústria e de centros de pesquisa na última segunda-feira (3), no Encontro Nacional sobre Sexagem In Ovo no Brasil, com foco na regulamentação e na viabilidade econômica da medida no país.
A sexagem in ovo é uma inovação que analisa o ovo fertilizado antes do nascimento das aves. Na avicultura de postura — voltada à produção de ovos comercializados nos supermercados —, os machos costumam ser eliminados logo após nascerem, pois não põem ovos nem possuem aptidão para a produção de carne.
Mundialmente, bilhões de pintinhos machos passam por trituração mecânica ou gaseificação todos os anos. Os métodos são considerados cruéis por entidades de bem-estar animal e geram forte rejeição social, o que motiva países europeus, como Alemanha, França e Itália, a banirem a prática por meio de mudanças regulatórias.
Além de responder a um dilema ético, o método cria novas oportunidades econômicas para o agronegócio. Os ovos com embriões machos identificados de forma precoce podem ser direcionados para a indústria farmacêutica, na fabricação de vacinas, e para a composição de insumos na nutrição animal.
Uma pesquisa inédita encomendada pela Innovate Animal Ag e realizada pela YouGov revelou um mercado consumidor favorável à inovação no Brasil. O levantamento aponta que 79% dos brasileiros afirmam que comprariam ovos originados por meio da sexagem in ovo.
Mesmo com o desconhecimento inicial de 86% dos entrevistados sobre o assunto, 72% defenderam a adoção do método pela indústria após conhecerem seu funcionamento. Além disso, 73% demonstraram incômodo direto ao tomar conhecimento sobre a eliminação tradicional dos pintinhos machos.
O estudo mostra ainda que 76% dos consumidores estariam dispostos a pagar um valor adicional pelo produto. O acréscimo médio que a população aceitaria investir no mercado é de R$ 3,87 por dúzia de ovos.
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