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Soja: Dólar baixo e safra recorde no Brasil derrubam preços do grão

De acordo com o Cepea, a desvalorização da moeda americana frente ao real e a perspectiva de oferta interna ampla limitam a liquidez no país

Da redação
DA REDAÇÃO

21/04/2026 • 08:48 • Atualizado em 21/04/2026 • 08:48

Embrapa Soja

Resumo

Queda dos preços da soja foi registrada no mercado brasileiro na última semana, impulsionada pela valorização do real frente ao dólar e pela expectativa de uma colheita histórica, levando agentes do setor a adotar postura cautelosa e reduzindo o volume de negociações.

Projeções oficiais da Companhia Nacional de Abastecimento indicam que a safra 2025/26 ocupará 48,47 milhões de hectares, com produção estimada em 179,15 milhões de toneladas, crescimento de 4,5% em relação ao ciclo anterior e recorde para a agricultura nacional, apesar de problemas climáticos no Rio Grande do Sul.

Redução dos preços da soja impacta a economia ao baratear custos de produção de farelo e óleo, mas exige maior cuidado financeiro dos produtores, que enfrentam margens de lucro menores devido à pressão sobre os preços e à menor atratividade do dólar para exportação.

Os preços da soja recuaram no mercado brasileiro na última semana, impulsionados pela queda do dólar e pela expectativa de uma colheita histórica. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o cenário de câmbio favorável ao real e a abundância de grãos têm deixado os agentes do setor cautelosos.

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Essa postura de espera por melhores oportunidades de negociação travou parte das movimentações comerciais no período.

Produção nacional deve atingir marca histórica

A perspectiva de uma oferta interna volumosa é confirmada pelas projeções oficiais de campo. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2025/26 deve ocupar uma área de 48,47 milhões de hectares, o que representa um crescimento de 2,4% em comparação ao ciclo anterior.

Com uma produtividade média estimada em 3.696 kg por hectare — uma alta de 2% —, a produção total do Brasil pode chegar a 179,15 milhões de toneladas. Se confirmado, o volume representará um crescimento de 4,5% e estabelecerá um novo recorde para a agricultura nacional.

Avanço da colheita e preocupações regionais

No campo, os trabalhos de colheita estão em ritmo avançado e já cobrem 85,7% da área total semeada no país. Em estados de grande peso produtivo, como Mato Grosso e Paraná, as atividades de retirada do grão já foram concluídas.

Apesar do otimismo com os números globais, o cenário não é uniforme em todas as regiões. No Rio Grande do Sul, produtores ainda enfrentam dificuldades devido à irregularidade das chuvas. A instabilidade climática no estado gaúcho comprometeu o potencial produtivo de algumas lavouras, mantendo o alerta aceso para as colheitas finais na região Sul.

Impacto no bolso e no mercado

A queda nos preços da soja no atacado costuma gerar um efeito em cadeia na economia. Como a soja é a base para a produção de farelo (usado na alimentação de aves e suínos) e óleo de cozinha, o recuo da commodity pode aliviar os custos de produção de proteínas animais e itens da cesta básica.

No entanto, para o produtor rural, o momento exige gestão financeira rigorosa. Com os preços pressionados pela safra recorde e o dólar menos atrativo para a exportação, a margem de lucro pode ser reduzida, especialmente para aqueles que não realizaram a venda antecipada da produção.