
Venezuela é líder em importação de arroz em casca do Brasil
Arquivo/Irga/Robispierre Giuliani
A Venezuela, país vizinho que enfrenta uma crise devido à invasão e captura do ditador Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos, é uma das Nações que mais dependem do agronegócio brasileiro para garantir a segurança alimentar de seu povo. Apesar das exportações de produtos do agronegócio terem registrado quedas consideráveis nos últimos 12 anos, o Brasil ainda é o principal fornecedor de itens básicos da alimentação. Açúcar, arroz, milho e carne bovina estão entre os principais itens de comércio entre os dois países. O estado de Roraima é a principal rota de escoamento das exportações.
Dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em 2013, as importações de produtos agropecuários brasileiros gerou uma receita de US$ 2,63 bilhões ao Brasil. No período, o Brasil exportou 1,54 milhão de toneladas de alimentos à Venezuela. Já em 2025, dados compilados entre os meses de janeiro até novembro, mostram que as exportações alcançaram US$ 513,5 milhões, com 948 mil toneladas de alimentos. A redução nos 12 anos foi de 80,48% no período (em receita) e 32,3% em volume.
Exportações sofrem redução drástica
Os dados históricos mostram que o comércio bilateral atingiu seu auge durante o governo de Hugo Chávez, sofrendo uma queda severa sob a gestão de Nicolás Maduro. Em 2014, as exportações agropecuárias brasileiras para a Venezuela chegaram a US$ 2,6 bilhões. Dez anos depois, em 2024, o valor total das exportações brasileiras para o país vizinho ficou em aproximadamente R$ 1,19 bilhão. Esse montante representa uma queda superior a 50% em comparação aos níveis registrados em 2015, evidenciando o enfraquecimento contínuo do fluxo comercial ao longo da última década.
Em 2024, as vendas para a Venezuela representaram apenas 0,4% do total das exportações brasileiras. Esse cenário é resultado direto da perda de poder de compra e das restrições financeiras enfrentadas pelo governo venezuelano no mercado internacional.
Venezuela é o maior importador de arroz brasileiro
Em 2025, a Venezuela se tornou o maior importador de arroz em casca do Brasil, representando cerca de 13% das exportações totais desse grão pelo país. Além do arroz, o milho brasileiro também possui forte demanda. O cereal é exportado tanto para o consumo humano direto quanto para a fabricação de ração animal, essencial para a manutenção da pecuária local venezuelana.
A exportação de carnes bovina e de frango, embora tenha sofrido flutuações, continua significativa. O setor gerou centenas de milhões de dólares na última década, servindo como item essencial na cesta básica da população venezuelana.
Outros itens de alta demanda incluem:
- Gorduras e óleos: Óleos vegetais de soja e milho, além de gorduras animais.
- Laticínios: Destaque para o leite em pó e o leite condensado.
- Leguminosas: Volumes consideráveis de feijão e outros grãos secos.
- Soja: Exportada em grão e farelo para a indústria de alimentos local.
A pauta de produtos que o Brasil envia para a Venezuela é focada em alimentos básicos de cesta básica e insumos agroindustriais. Os principais itens exportados foram açúcares, melaços, produtos comestíveis e milho, que juntos concentraram mais de 40% de todas as vendas. Recentemente, outros setores começaram a ganhar espaço na balança comercial:
- Açúcar e óleos vegetais: mantêm-se como itens de exportação constante.
- Máquinas agrícolas: em 2025 (dados até novembro), este segmento registrou uma participação de 10,6% no total exportado.
- Fertilizantes: o Brasil também importa insumos da Venezuela; em 2023, fertilizantes representaram 45% das compras brasileiras do país vizinho, somando US$ 208 milhões.
A troca de insumos mostra que, apesar das dificuldades políticas e econômicas, existe uma interdependência técnica entre os setores produtivos das duas nações, especialmente na área de fertilizantes e maquinário.
Desafios geopolíticos e perspectivas para o agronegócio
Especialistas e dados de mercado indicam que o comércio entre Brasil e Venezuela é altamente sensível ao cenário geopolítico. Eventos recentes, como sanções internacionais e a invasão dos Estados Unidos, no dia 3 de janeiro, continuam a influenciar o fluxo de mercadorias e a segurança dos pagamentos para os exportadores brasileiros.
Embora os dados consolidados de 2025 ainda dependam de fechamentos oficiais, e serão publicados no início de fevereiro de 2026, as projeções baseadas até o final do ano indicam a manutenção do patamar atual, sem sinais de uma recuperação robusta para os níveis da década passada.
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