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Em tribunal, Maduro diz que foi "sequestrado" e se declara inocente

Ao lado de sua mulher, Cillia Flores, ele disse ainda que nunca havia visto o indiciamento

Da redação
DA REDAÇÃO

05/01/2026 • 14:43 • Atualizado em 05/01/2026 • 14:43

Resumo

Comparecimento de Nicolás Maduro e Cilia Flores diante de juiz federal em Nova York ocorreu devido a acusações de tráfico de drogas, com ambos declarando-se inocentes.

Alegação de sequestro feita por Maduro incluiu afirmação de desconhecimento prévio do indiciamento, enquanto o juiz Alvin K. Hellerstein repreendeu o réu por tentar declarar sua condição pessoal.

Decisão judicial determinou nova audiência para 17 de março, com advogado Barry Pollack destacando questionamento sobre legalidade do sequestro e mencionando problemas de saúde de Maduro.

Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, compareceram diante de um juiz federal dos Estados Unidos na região de Manhattan, em Nova York, nesta segunda-feira (5). Os dois enfrentam acusações de tráfico de drogas. Ao magistrado Alvin K. Hellerstein, Maduro se declarou inocente.

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Segundo informações do jornal “The New York Times”, o agora ex-ditador venezuelano disse que foi “sequestrado” e retirado de sua casa em Caracas. Ele afirmou ainda que nunca havia visto o indiciamento contra ele até o dia de hoje. “Eu sou inocente, não sou culpado. Sou um homem decente, afirmou.

Em determinado momento, Maduro chegou a ser repreendido por Hellerstein por tentar fazer uma espécie de declaração sobre seu estado atual. O juiz pediu que ele prestasse atenção às regras do tribunal.

Questionada, Cillia Flores também se declarou inocente de todas as acusações.

O advogado de Maduro, Barry Pollack, afirmou que não estava buscando a liberação de seu cliente por meio de fiança, mas que pode avaliar a opção no futuro. “Há questões sobre a legalidade do sequestro militar”, ressaltou Pollack, que ainda disse que Maduro possui problemas de saúde.

Ao final, Hellerstein afirmou que Maduro e Flores precisarão comparecer a uma nova audiência no dia 17 de março.

Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania

Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.

O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.

Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.

Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.

A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.

Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.

No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.

Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.