A comunidade internacional reagiu com contundência à megaoperação militar realizada pelos Estados Unidos em território venezuelano, que resultou em bombardeios estratégicos e na captura de Nicolás Maduro. O governo da Rússia, liderado por Vladimir Putin, classificou a ação como um "ato de agressão armada" e afirmou que as justificativas apresentadas por Washington para a invasão são "insustentáveis".
O Kremlin condenou a operação, reforçando que a ação viola a soberania da Venezuela.
Divisão na América Latina
A operação aprofundou as divisões políticas na região. Enquanto os governos da Colômbia e de Cuba condenaram abertamente o ataque militar, o presidente da Argentina, Javier Milei, manifestou-se a favor, comemorando a ação conduzida pelos Estados Unidos. Outras autoridades latino-americanas seguem manifestando preocupação com a estabilidade regional.
Reações na Europa
No continente europeu, a postura varia entre a condenação e a preocupação com a segurança de cidadãos estrangeiros:
- O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, informou que o governo de Giorgia Meloni monitora a situação com atenção especial à comunidade de cerca de 160 mil italianos que vivem na Venezuela. Uma unidade de crise já foi acionada.
- O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha declarou acompanhar os desdobramentos com "grande preocupação" e convocou uma equipa de crise para discutir o assunto ainda este sábado.
- O governo espanhol pediu moderação e respeito ao direito internacional, oferecendo-se como mediador para uma possível solução pacífica.
- O Irã, aliado próximo de Caracas, classificou o ataque como uma "grave violação da paz e da segurança internacional", alertando que as consequências da intervenção militar afetarão todo o sistema global.
Pronunciamento dos EUA
O cenário de incerteza aguarda agora por esclarecimentos oficiais da Casa Branca. O presidente Donald Trump deve realizar uma conferência de imprensa em Mar-a-Lago, na Flórida, onde apresentará as justificativas detalhadas para a megaoperação e informará sobre a situação de Nicolás Maduro após a sua captura.
Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela
Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania
Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.
Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.
O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.
Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.
Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.
Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito: Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump
Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.
A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.
Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.
No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.
Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.
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