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Brasil eleva alerta militar no Norte e vê saída de Maduro como irreversível

O Ministério da Defesa informou que os comandos das Forças Armadas no Norte do Brasil já operam em "nível de alerta elevado"

Da redação
DA REDAÇÃO

03/01/2026 • 11:18 • Atualizado em 03/01/2026 • 11:18

Maduro

Maduro

Reuters

O Ministério da Defesa informou que os comandos das Forças Armadas no Norte do Brasil já operam em "nível de alerta elevado" após as ações dos EUA na Venezuela. A medida, que será detalhada pelo ministro José Múcio Monteiro em reunião ministerial, reflete a crescente tensão na fronteira e o monitoramento rigoroso para evitar qualquer violação do território nacional.

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A mobilização tem caráter preventivo e "defensivo". Fontes do governo indicam que, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorize, um contingente maior de homens e equipamentos de alta tecnologia pode ser deslocado imediatamente para a região amazônica para reforçar a soberania brasileira.

A cúpula do governo brasileiro já trabalha com um cenário de ruptura definitiva em Caracas. A análise que chega à mesa do presidente Lula é direta: "a saída de Nicolás Maduro do poder é irreversível". O otimismo em relação à transição, porém, é contido por um forte receio em torno do "dia seguinte".

O diagnóstico de ministros do Palácio do Planalto aponta que um eventual vácuo de poder pode levar a uma convulsão social sem precedentes. O governo traça paralelos históricos preocupantes, citando intervenções ou deposições lideradas pelos EUA em países como Líbia, Iraque e Afeganistão. Nestes casos, avalia o Planalto, a queda do líder não resultou em estabilidade democrática, mas em anos de conflito civil e desarticulação do Estado.

A principal preocupação do Itamaraty e do Ministério da Defesa não se limita a quem assumirá a Presidência, mas à forma como esse novo governo exercerá o poder. O governo brasileiro destaca que a estrutura estatal venezuelana foi moldada ao longo de décadas para ser fiel ao chavismo.

A linha de questionamento é clara: o Maduro foi removido, mas como lidar com um Tribunal Constitucional e uma Assembleia Nacional inteiramente alinhados ao pró-governo? Esses questionamentos devem ser apresentados ao presidente Lula nos próximos dias.

Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela

Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania

Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.

O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.

Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.

Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.

Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito:  Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump

Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.

A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.

Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.

No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.

Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.