A Venezuela formalizou, na manhã deste sábado (3), o pedido de uma reunião de emergência no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A solicitação ocorre em resposta aos recentes ataques atribuídos aos Estados Unidos contra o país sul-americano.
Segundo o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, o objetivo é discutir as consequências da ofensiva americana e buscar uma intervenção diplomática internacional.
Em pronunciamento oficial, o chanceler criticou duramente a postura dos EUA, classificando as ações como um "ataque covarde". Gil afirmou que "nenhum ataque prevalecerá contra a força deste povo, que sairá vitorioso".
A declaração foi acompanhada pela divulgação de uma carta enviada à ONU, na qual o governo de Nicolás Maduro detalha as agressões que atribui aos Estados Unidos e reforça a necessidade de um posicionamento do Conselho de Segurança.
Mobilização popular e tensão política
A resposta do governo venezuelano não se limitou à esfera diplomática. O ministro do Interior e da Justiça, Diosdado Cabello, considerado o número dois do regime chavista, utilizou as redes sociais para convocar a população.
Em um áudio amplamente divulgado, Cabello pediu que os venezuelanos ocupem as ruas em protesto contra as ações dos Estados Unidos. A convocação eleva a tensão no cenário interno, com o governo buscando demonstrar unidade e resistência popular diante da ofensiva externa.
Paralelamente, o regime intensificou as críticas ao governo norte-americano, acusando-o de violar a soberania nacional. A situação segue sob monitoramento da comunidade internacional, que aguarda uma resposta da ONU ao pedido de reunião.
A escalada do conflito entre Venezuela e Estados Unidos reacende preocupações sobre a estabilidade regional e o futuro das relações diplomáticas no continente.
Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela
Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania
Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.
Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.
O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.
Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.
Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.
Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito: Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump
Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.
A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.
Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.
No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.
Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.
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