O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em pronunciamento no início da tarde deste sábado (3) que a Venezuela será “reconstruída” com recursos obtidos a partir da venda do petróleo que, segundo ele, pertence aos Estados Unidos.
Nós temos dinheiro saindo do solo. Isso é muito substancial para reconstruir o país. Queremos segurança. Não temos mais inimigos por lá. Vamos reconstruir. Não vamos gastar dinheiro. As companhias que vão. Vamos só pegar o nosso petróleo de volta, que deveríamos ter pego já há muitos anos. Muito dinheiro saindo do solo. Essa é uma operação muito forte, muito importante.
“Petróleo foi tirado como doce de bebê”
Para Trump, a situação foi facilitada por erros estratégicos de seus antecessores e pela atuação de Nicolás Maduro. Na avaliação do presidente, o petróleo foi retirado dos Estados Unidos de forma fácil e sem resistência significativa por parte do governo americano à época, como se fosse “tirar doce da boca de bebê”.
Tudo foi roubado de nós durante as administrações anteriores e de Nicolás Maduro. Isso é a propriedade americana, faz parte da história do nosso país. Uma infraestrutura massiva de exploração de petróleo foi tirada de nós como se tirasse doce de bebê. Foi isso que eles fizeram. Mas agora o ditador Maduro Não vai mais ameaçar os Estados Unidos, eles tentaram.
“Vamos fazer dinheiro”
Trump afirmou que os Estados Unidos “vão fazer muito dinheiro” com a operação e que os recursos serão destinados à população venezuelana. Segundo ele, os venezuelanos terão vantagens com a iniciativa e o governo americano não pretende obter ganhos pessoais com a ação.
Vamos fazer muito dinheiro e vamos dar esse dinheiro para as pessoas. Pessoas terão vantagens nisso, os venezuelanos. Eu não quero nada deles. Eles tratavam nós como se nós não fôssemos nada, mas fizemos algo a respeito disso. Tudo será feito nas próximas horas, vamos designar pessoas, vocês vão saber quem serão essas pessoas em breve. Vamos governar, vamos trazer o petróleo de volta.
Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela
Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania
Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.
Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.
O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.
Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.
Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.
Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito: Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump
Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.
A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.
Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.
No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.
Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.
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