
Milei reconhece derrota e fala em corrigir erros
REUTERS/Tomas Cuesta
O presidente da Argentina, Javier Milei, manifesta apoio público à ofensiva militar e à prisão de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, ocorridas na madrugada deste sábado (3). Em publicação nas redes sociais, Milei compartilha um vídeo em que celebra a prisão de Maduro após bombardeios estratégicos no país vizinho, reforçando sua retórica de confronto direto com as lideranças de esquerda na América Latina.
A publicação do mandatário argentino não se limita à celebração da queda de Maduro, mas inclui uma provocação direta ao governo brasileiro. O vídeo é encerrado com uma fotografia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolás Maduro aparecem abraçados durante uma reunião.
A escolha da imagem sinaliza uma crítica à postura diplomática de Brasília em relação ao regime de Caracas, que Milei descreve como uma ameaça à estabilidade do continente.
Discurso e alinhamento com os Estados Unidos
No conteúdo divulgado, Javier Milei utiliza trechos de discursos anteriores para fundamentar sua posição. O presidente argentino classifica Maduro como um "narcoterrorista" e sustenta que a Venezuela viveu, sob o comando do chavista, uma “ditadura atroz e inumana”.
Milei argumenta que o "perigo" representado pelo regime venezuelano não poderia continuar existindo na América Latina, sob o risco de "arrastar todos" os países vizinhos para uma crise sistêmica.
O posicionamento de Milei ratifica seu alinhamento com a política externa de Washington. Ele saúda as ofensivas norte-americanas realizadas no Mar do Caribe, iniciadas após ordens diretas de Donald Trump para o envio de tropas e ativos militares a países latino-americanos.
Oficialmente, a operação foi justificada como um esforço de combate ao tráfico internacional de drogas e ao crime organizado na região.
Repercussão diplomática e contexto regional
A manifestação de Javier Milei ocorre em um momento de extrema tensão na América do Sul, após a confirmação de bombardeios noturnos em pontos estratégicos da Venezuela. A captura de Maduro por forças estrangeiras altera drasticamente o equilíbrio geopolítico da região e coloca em evidência as divisões entre as principais economias do continente.
Enquanto a Argentina adota um tom de celebração e cobrança sobre os vizinhos, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil ainda avalia os impactos da ofensiva.
Para analistas internacionais, a postura agressiva de Milei nas redes sociais deve aprofundar o distanciamento diplomático entre Buenos Aires e Brasília, dificultando diálogos em blocos como o Mercosul. O governo argentino, por sua vez, sinaliza que manterá a pressão sobre as lideranças que mantiveram laços com o regime de Maduro até o momento de sua queda.
Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela
Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania
Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.
Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.
O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.
Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.
Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.
Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito: Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump
Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.
A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.
Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.
No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.
Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.
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