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Bebê declarado morto volta a respirar horas depois em hospital de SP

Recém-nascido de um mês teve duas paradas cardiorrespiratórias, chegou a ter o óbito constatado e foi encaminhado para os procedimentos funerários. Funcionária percebeu sinais vitais e acionou a equipe médica.

Matheus Christov
MATHEUS CHRISTOV

20/07/2026 • 19:56 • Atualizado em 20/07/2026 • 19:56

Um bebê de apenas um mês voltou a apresentar sinais vitais cerca de duas horas após ter a morte constatada na Santa Casa de Rio Claro, no interior de São Paulo. O caso aconteceu na última quarta-feira (15). Noah Gabriel da Cruz Santos nasceu prematuro, com 35 semanas de gestação, no dia 15 de junho, e permanecia internado desde o nascimento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal.

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Segundo a família, o bebê nasceu com uma malformação congênita conhecida como fenda palatina, uma abertura no céu da boca que comprometia sua respiração. Por isso, ele precisava do auxílio de uma cânula nasal enquanto aguardava transferência para um hospital especializado.

Em entrevista à TV Band, a mãe do bebê, Letícia Cristina da Cruz, contou que durante o horário de visita, a equipe médica informou que Noah havia sofrido uma parada cardiorrespiratória e que, apesar da gravidade, foi reanimado e entubado. Enquanto a médica explicava a situação aos familiares, o bebê sofreu uma nova parada cardiorrespiratória.

A família presenciou a queda da saturação, dos batimentos cardíacos e o agravamento do quadro clínico, antes de ser retirada da UTI para que a equipe realizasse as manobras de reanimação. Cerca de 45 minutos depois, a profissional comunicou aos pais que Noah não havia resistido.

Funcionária de funerária percebeu sinais vitais e acionou a equipe médica (foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

Funcionária de funerária percebeu sinais vitais e acionou a equipe médica (foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

O pai do bebê permaneceu por aproximadamente 30 minutos com o filho após a confirmação da morte. Segundo a família, a mãe não entrou na sala porque o pai considerou a cena "muito difícil". Em seguida, os familiares iniciaram os procedimentos junto à funerária e retornaram para casa.

No entanto, por volta das 21h40, a família afirma ter recebido uma ligação da equipe de enfermagem pedindo que todos voltassem imediatamente ao hospital.

Ao chegar à unidade, os pais foram informados de que o bebê havia voltado a apresentar sinais vitais. Segundo a mãe, foi uma funcionária da funerária, que havia ido ao hospital para retirar o corpo, quem percebeu que Noah estava vivo e avisou a equipe médica. Os pais encontraram o filho novamente entubado e recebendo cuidados intensivos.

A família afirma acreditar que o episódio foi um milagre. “Deus soprou vida” no bebê, disse a mãe à TV Band.

Segundo ela, os pais não pretendem registrar boletim de ocorrência nem processar o hospital porque não suspeitam de negligência ou falha no atendimento médico.

Após o episódio, Noah foi transferido de Rio Claro (SP) para o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo, em Bauru (SP).

Hospital chegou a entregar homenagem para os pais da criança, com o horário do óbito e mensagem de conforto (foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

Hospital chegou a entregar homenagem para os pais da criança, com o horário do óbito e mensagem de conforto (foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

O que diz a Santa Casa

Em nota, a Santa Casa de Rio Claro informou que Noah deu entrada na UTI Neonatal logo após o nascimento e aguardava transferência para uma unidade especializada para a realização de uma cirurgia.

Segundo o hospital, no dia 15 de julho o bebê apresentou piora clínica e sofreu uma parada cardiorrespiratória. A instituição afirma que foram realizadas manobras de reanimação cardiopulmonar por aproximadamente 45 minutos, seguindo os protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria, mas o paciente não resistiu e morreu.

Ainda de acordo com a Santa Casa, após a constatação da morte, o bebê permaneceu por cerca de uma hora na UTI Neonatal para os trâmites legais e acolhimento da família, sendo posteriormente encaminhado para outro setor, onde aguardava a retirada do corpo pela funerária indicada pelos pais.

O hospital informou que, cerca de duas horas após a constatação do óbito, a pessoa responsável pela retirada do corpo percebeu sinais vitais e acionou imediatamente a equipe médica. Noah foi reavaliado, readmitido na UTI Neonatal e recebeu novamente atendimento intensivo. Na manhã de 17 de julho, após a liberação da vaga que já aguardava anteriormente, foi transferido para o hospital de referência em Bauru.

A Santa Casa afirmou ainda que todos os protocolos técnicos e legais para a constatação do óbito foram rigorosamente cumpridos e que não identificou "qualquer falha assistencial ou procedimento que pudesse ser revisto diante das evidências existentes" naquele momento.

A instituição classificou o episódio como “um dos acontecimentos mais inexplicáveis de sua história centenária” e declarou que “para muitos, inclusive entre profissionais e familiares, o que ocorreu é compreendido como um verdadeiro milagre”.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmou que a Polícia Civil não registrou a ocorrência até o início da noite desta segunda-feira (20).

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ainda não se manifestou.

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