
António Guterres, secretário-geral da ONU
REUTERS/Mike Segar
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, expressou preocupação com uma possível intensificação da instabilidade na Venezuela após Nicolás Maduro ser capturado pelos Estados Unidos.
“Estou profundamente preocupado com a possível intensificação da instabilidade no país, o potencial impacto na região e o precedente que isso pode criar para a forma como as relações entre os Estados são conduzidas”, disse Guterres em declaração entregue ao Conselho de Segurança pela chefe de assuntos políticos da ONU, Rosemary DiCarlo.
António Guterres também afirmou estar preocupado com o fato de a operação dos EUA para capturar Maduro em Caracas na madrugada de sábado (3) não ter respeitado as normas do direito internacional.
“Acolho com satisfação e estou pronto para apoiar todos os esforços que visem ajudar os venezuelanos a encontrar um caminho pacífico para o futuro”, acrescentou.
Diretor da ONU sugere indicação de enviado especial
Jeffrey Sachs, diretor da Organização das Nações Unidas (ONU), sugeriu durante reunião do Conselho de Segurança da ONU que a organização deve indicar um enviado especial para cuidar dos assuntos da Venezuela.
Ele defende que esse enviado leve ao Conselho de Segurança, dentro de 14 dias, uma recomendação consistente de acordo com a Carta da ONU.
Para ele, os estados-membro devem evitar qualquer tipo de ameaça unilateral ou medidas de ações armadas sem a autoridade do Conselho de Segurança.
“A paz e sobrevivência da humanidade depende se a Carta das Nações Unidas se mantém como instrumento vivo do direito internacional ou se pode ser tratada como algo irrelevante”, disse Jeffrey Sachs.
*Com informações da Reuters
Entenda a ofensiva dos EUA contra a Venezuela
Os Estados Unidos realizaram na madrugada de 3 de janeiro uma operação militar contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. A ação provocou bombardeios em pontos estratégicos do país, um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a declarar estado de emergência, acusando Washington de violação de soberania
Horas depois, o presidente americano Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi detido por forças dos EUA. Em declarações posteriores, Trump confirmou que o líder venezuelano foi levado para Nova York, nos Estados Unidos, para ser julgado por acusações de terrorismo e tráfico de drogas.
Em entrevista coletiva, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela após a captura de Maduro, declaração que ampliou a reação internacional e levantou questionamentos sobre uma possível ocupação ou administração provisória do país.
O presidente americano também afirmou que a ofensiva teve como um de seus objetivos a recuperação de petróleo que teria sido retirado dos Estados Unidos pelo regime venezuelano. Segundo Trump, o recurso foi tomado “como doce de bebê”, expressão usada por ele para justificar a intervenção e reforçar o discurso de prejuízo econômico aos EUA.
Ele também disse que a captura de Maduro serve como alerta a outros líderes que desrespeitem os interesses dos EUA. Trump declarou ainda que a Venezuela será “reconstruída” com recursos do petróleo recuperado pelos EUA, reforçando a ideia de controle econômico sobre Caracas.
Durante a ofensiva, bombardeios provocaram um apagão em Caracas, segundo autoridades locais, e aeronaves militares americanas foram registradas sobrevoando o território venezuelano.
Após o anúncio da captura, a vice-presidente da Venezuela exigiu provas de vida de Maduro, enquanto o governo chavista solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Trump afirmou que acompanhou a operação em tempo real e comparou a ação a um “reality show”. Mais tarde, a Casa Branca divulgou uma imagem de Maduro sob custódia, sendo levado aos Estados Unidos.

Trump publica foto de Maduro sendo levado aos EUA | Crédito: Reprodução/truthsocial.com/@realDonaldTrump
Na Venezuela, a captura do presidente aprofundou a instabilidade política e econômica. Houve corrida a mercados, e setores da oposição, representados pela líder da oposição, María Corina, passaram a defender uma transição de poder, enquanto cresce a incerteza sobre a condução do país.
A operação recebeu apoio de aliados do governo Trump. O vice-presidente americano afirmou que os ataques se justificam por um suposto “roubo de petróleo” por parte do regime venezuelano.
Em reação, líderes internacionais criticaram a ofensiva. A Rússia condenou a ação e classificou a operação como uma agressão armada.
No Brasil, o governo Lula criticou duramente a ofensiva, afirmando que a captura de um chefe de Estado estrangeiro ultrapassa os limites do direito internacional. O país elevou o nível de alerta militar no Norte, embora o Itamaraty tenha informado que a situação na fronteira segue normal.
Analistas avaliam que a ofensiva dos EUA contra a Venezuela representa uma escalada sem precedentes e pode redefinir o equilíbrio político na América Latina.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

