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Agro

União Europeia veta plásticos e abre caminho para o algodão brasileiro

Colunista Antônio Cabreira aponta contradição em focar no canudo e ignorar tecidos sintéticos derivados do petróleo nas roupas

3 min

19/08/2026 11:50 • Atualizado há 65 dias

União Europeia veta plásticos e abre caminho para o algodão brasileiro

As regras ambientais da União Europeia (UE) contra produtos plásticos descartáveis abrem uma grande oportunidade de mercado para o algodão brasileiro, segundo analisa o especialista em agronegócio da BandNews TV, Antônio Cabreira..

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A legislação do bloco europeu amplia restrições ao uso de itens como canudinhos plásticos para conter a poluição em rios e nascentes. Cabreira observa, no entanto, que a política europeia apresenta uma contradição ao desconsiderar o impacto ambiental gerado pelas fibras sintéticas na indústria do vestuário. No entanto, o veto pode ser uma porta para as exportações brasileiras de algodão.

Desde 2021, os países europeus aplicam medidas severas contra artigos plásticos de uso único. Para Cabrera, essa estratégia ignora um volume muito mais expressivo de polímeros que as pessoas utilizam todos os dias: as próprias roupas.

Ele cita que etiquetas comuns do setor têxtil registram com frequência tecidos compostos inteiramente de poliéster ou misturas com viscose, poliamida e elastano. Atualmente, cerca de 70% de todas as fibras produzidas no mundo são sintéticas.

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De acordo com os dados apresentados por Cabreira, 60% da produção global de fibras têxteis utiliza matéria-prima fóssil, obtida diretamente do petróleo. Durante o uso e, principalmente, nas lavagens domésticas, esses tecidos sintéticos desprendem microfibras plásticas que chegam às redes de esgoto e aos oceanos.

O especialista avalia que qualquer esforço real para diminuir a dependência global do petróleo precisa combater o avanço do nylon, do elastano e de outros tecidos sintéticos. Em sua visão, a sociedade combate o plástico que carrega nas mãos, mas esquece de fiscalizar o plástico que veste no corpo. Para evitar a degradação ambiental marinha, Cabrera defende que a pauta sustentável valorize alternativas naturais e renováveis. Fibras como algodão, lã e linho oferecem soluções diretas para conter a disseminação de microplásticos.

Nesse debate sobre consumo responsável, o agronegócio do Brasil surge com ampla vantagem competitiva. O País ocupa o posto de maior exportador mundial de algodão e apresenta um modelo sustentável de plantio.

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Cerca de 92% da produção brasileira de algodão ocorre em regime de sequeiro, método agrícola no qual a lavoura aproveita exclusivamente a água das chuvas para o desenvolvimento da safra. O sistema dispensa estruturas pesadas de irrigação artificial nos campos.

Esse cenário é oposto ao praticado por concorrentes estrangeiros, nos quais 70% das plantações de algodão demandam irrigação artificial. A fibra natural brasileira alia alta produtividade, tecnologia de ponta, rastreabilidade e menor impacto no consumo de água.

Cabrera avalia que as diretrizes ambientais globais estão focadas no que é simples de proibir, como o canudo descartável, em vez de enfrentar os fatores com peso real na escala industrial. A transição ambiental, segundo o analista, não pode se limitar a proibições pontuais. Ela deve incentivar a substituição do plástico das roupas por matérias-primas naturais e renováveis.

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