
Lavouras de algodão são beneficiadas pelo tempo mais seco em regiões estratégicas
Wenderson Araujo/Trilux
As primeiras áreas de algodão da safra 2025/26 começaram a ser colhidas em regiões estratégicas do Brasil. Embora a operação ainda seja pontual, a expectativa é que o ritmo de trabalho ganhe força nas próximas semanas. A maior parte das plantações, no entanto, ainda finaliza o ciclo de desenvolvimento, influenciada por diferentes épocas de plantio e pelo clima de cada localidade.
Para identificar o momento ideal de colher, especialistas utilizam o monitoramento por soma térmica, medido em graus-dia (GD). Diferente do calendário agrícola fixo, essa tecnologia contabiliza o acúmulo de energia térmica que a planta recebe. O objetivo é oferecer uma estimativa mais precisa sobre o desenvolvimento da lavoura, adaptando-se às variações ambientais de cada região produtora.
Simulações feitas pelo SISDAGRO, sistema do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), detalham a situação atual em polos produtores:
Luís Eduardo Magalhães (BA): Com o plantio realizado em 15 de janeiro, a região somou 1.584,1 GD até 6 de julho. As plantas estão na fase de maturação das maçãs e abertura dos capulhos, com colheita prevista para ocorrer em cerca de duas semanas.
Sapezal (MT): Com plantio em 22 de janeiro, o município registrou 1.435,2 GD. O algodoeiro está no estágio final de enchimento e transição para maturação, com os trabalhos de colheita projetados para os próximos 30 a 35 dias.
Clima seco ajuda na qualidade da fibra
O regime de chuvas foi determinante para o cenário atual. Em Sapezal (MT), o índice pluviométrico acumulado no ciclo foi de aproximadamente 747 mm. Já em Luís Eduardo Magalhães (BA), o volume foi menor, totalizando 235 mm. No Oeste baiano, a redução acentuada das chuvas nos últimos 30 dias — com acumulado de apenas 0,8 mm — foi essencial para favorecer a abertura dos capulhos e a qualidade do produto final.
As temperaturas médias, em ambas as regiões, oscilaram entre 23 °C e 24 °C, com máximas próximas aos 30 °C, patamar considerado ideal para o desenvolvimento pleno do algodoeiro.
Previsão para os próximos dias
A previsão meteorológica indica uma semana de tempo predominantemente seco sobre os principais polos produtores de algodão. A ausência de chuvas é uma característica típica do período de inverno e auxilia tanto no avanço da maturação quanto na proteção da qualidade da fibra, evitando o umedecimento dos capulhos.
Para a semana seguinte, existe a possibilidade de chuvas isoladas em Sapezal (MT), enquanto o Oeste da Bahia deve seguir sob clima seco. Caso a chuva ocorra onde a colheita já estiver em estágio inicial, poderá haver um retardamento temporário na operação. Contudo, como a maior parte das áreas analisadas ainda não atingiu o ponto de maturação plena, os impactos seriam pontuais. Técnicos reforçam a importância de acompanhar diariamente as atualizações do tempo para planejar o manejo adequado.
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