Agroband

El Niño pode persistir até o próximo ano e provocar calor 'superforte'

O fenômeno pode prejudicar a produção agrícola, eleva o risco de incêndios e agrava a saúde pública

VIVIANE TAGUCHI

29/06/2026 • 16:56 • Atualizado em 29/06/2026 • 16:58

Agro pode ser prejudicado com ondas de calor intensas

Agro pode ser prejudicado com ondas de calor intensas

Wenderson Araujo/Trilux

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão ligado ao Ministério da Agricultura, divulgou nesta segunda-feira (29) que irá monitorar o avanço do El Niño e seus efeitos em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC).

Compartilhar

As análises realizadas neste mês mostraram que as temperaturas da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial apresentam um padrão típico do fenômeno. Foi identificada uma faixa de águas quentes com desvios que superam os 2°C próximo à costa da América do Sul. Diante desse cenário, o relatório passará por atualizações mensais para subsidiar decisões governamentais e orientar ações de preparação nos estados e municípios.

A previsão para o trimestre - julho, agosto e setembro - indica chuvas acima da média histórica em áreas da Região Sul do Brasil. Em contrapartida, a tendência para o centro-norte do País é de precipitações abaixo da média.

Os modelos meteorológicos indicam uma probabilidade superior a 90% de que o El Niño persista até o início de 2027. Existe ainda uma alta chance de que o fenômeno atinja uma intensidade muito forte entre a primavera e o verão de 2026, período no qual os desvios de temperatura no Oceano Pacífico devem se manter acima de 2,0°C.

Alertas de calor e riscos para o agro

Além das mudanças no padrão de chuvas, o relatório alerta para uma alta probabilidade de temperaturas acima da média histórica em grande parte do País durante o segundo semestre. Essa condição deve elevar o risco de ondas de calor severas e aumentar a ocorrência de incêndios florestais.

Os órgãos governamentais reforçam a necessidade de acompanhamento diário dos níveis de rios e reservatórios prioritários. O monitoramento contínuo é considerado indispensável para mitigar os impactos diretos na produção agrícola nacional, além de antecipar riscos de inundações e deslizamentos de terra em áreas vulneráveis. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil orienta que a população adote medidas de autoproteção e siga as recomendações das defesas civis locais.