
Pecuaristas devem investir em prevenção da escassez de pastagens
Wenderson Araújo/CNA
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação do fenômeno El Niño no segundo semestre, acendendo o sinal de alerta para o agronegócio brasileiro. O fenômeno climático deve provocar um choque desuniforme no país, com risco elevado de seca no Norte e Nordeste, e volumes significativos de chuva na Região Sul. Já no Centro-Oeste e no Sudeste, os efeitos aparecem como irregularidade de precipitações e altas temperaturas.
Segundo os pesquisadores da equipe de Pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o cenário exige cautela. O El Niño deve ser tratado como um fator de forte volatilidade produtiva, trazendo impactos bastante distintos para cada região e cadeia da pecuária nacional.
Clima e pastagens
Os pecuaristas precisam intensificar o monitoramento de suas propriedades diante da instabilidade climática. De acordo com a análise do Cepea, quatro fatores centrais merecem atenção redobrada de agora em diante:
Pastagens e água: qualquer atraso na recuperação das chuvas ou a ocorrência de veranicos prolongados reduzem o crescimento das forragens. Isso diminui a capacidade de suporte do pasto e pressiona o ganho de peso dos animais e a produção leiteira.
Forragens conservadas: o risco sobre os grãos afeta diretamente o custo e a qualidade da ração. É necessário observar os reflexos sobre fretes, estoques e mercado futuro, o que impacta confinamentos bovinos e sistemas intensivos de suínos e aves.
Sanidade e logística: O estresse térmico afeta o conforto animal, prejudicando a conversão alimentar e a fertilidade, especialmente em raças taurinas. Por outro lado, o excesso de chuva eleva problemas como lama, mastite e interrupções logísticas.
Custo da alimentação: Itens como milho, farelo de soja, silagem e feno entram no centro das planilhas, pois conectam o clima diretamente às margens financeiras de todas as cadeias.
Agro em alerta
Os efeitos do El Niño atingem os setores da carne, do leite e da criação de pequenos animais de maneiras específicas. Na bovinocultura de corte, o impacto concentra-se no estresse térmico e na necessidade de suplementação estratégica. Para o setor leiteiro, combinam-se a menor oferta de volumosos e o desconforto térmico das vacas.
Na ovinocultura e caprinocultura, o Nordeste enfrenta a escassez de água e forragem, o que exige o uso de reservas alimentares. No Sul, a chuva excessiva eleva os desafios sanitários no manejo desses pequenos ruminantes. Por fim, as cadeias de aves e suínos sofrem com o encarecimento das rações e com o maior consumo de energia para a climatização dos galpões.
Especialistas orientam que o produtor rural não deve esperar o agravamento das condições climáticas para adotar medidas mitigadoras. O planejamento do estoque de alimentos, o investimento em sistemas de sombreamento para diminuir o estresse calórico e o controle rigoroso do calendário sanitário são ferramentas indispensáveis para proteger a produtividade e garantir a rentabilidade das fazendas ao longo deste ano de El Niño
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