
NOAA eleva para 63% a probabildiade de retorno do El Niño em 2026
Fernando J Ogura/AEN
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente o retorno do fenômeno El Niño para os próximos meses. O novo relatório da agência norte-americana, divulgado nesta quinta-feira (11), elevou de 37% para 63% a probabilidade de o El Niño atingir a classificação de intensidade muito forte até o fim de 2026.
Essa categoria é caracterizada quando as anomalias de temperatura da superfície do mar ultrapassam 2°C acima da média histórica. O cenário de aquecimento global acentuado indica impactos significativos sobre o clima e as atividades produtivas.
O avanço desse fenômeno climático gera forte preocupação entre especialistas do setor. Embora a intensidade máxima prevista não signifique a ocorrência imediata de eventos extremos em todas as regiões do planeta, os padrões característicos do El Niño já começam a se desenhar. A tendência projeta uma alteração severa no regime de precipitações e temperaturas em áreas estratégicas do território nacional.
Impactos nas regiões brasileiras
A principal tendência do fenômeno é o aumento expressivo do volume de chuvas na Região Sul do Brasil. O El Niño provoca uma redução acentuada das precipitações na Região Norte e em parte do Nordeste. Além do desequilíbrio hídrico, ondas de calor mais intensas e frequentes devem ocorrer em diversas áreas do país, elevando as temperaturas médias em vários estados.
A alteração climática impacta diretamente o agronegócio nacional. O excesso de umidade nos estados sulistas e a estiagem prolongada nas porções setentrionais exigem atenção redobrada dos produtores rurais na gestão do manejo de campo. O El Niño (fenômeno de aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico) costuma desregular o calendário das safras e interferir na produtividade das principais commodities agrícolas, como soja e milho.
Planejamento e monitoramento no campo reduzem prejuízos
O monitoramento contínuo das condições meteorológicas passa a ser uma ferramenta indispensável para mitigar perdas na lavoura. Institutos oficiais de pesquisa acompanham a evolução das temperaturas oceânicas para fornecer alertas antecipados ao setor produtivo. A recomendação para o produtor é adequar o planejamento do ciclo da entressafra e ajustar a logística de distribuição para enfrentar as adversidades climáticas.
O acompanhamento dos dados da NOAA serve como base para que órgãos oficiais e associações preparem planos de contingência regionalizados. Diante de 63% de chances de um El Niño muito forte, o setor de seguros rurais e o gerenciamento de risco de crédito também passam por revisões para garantir a sustentabilidade econômica da atividade agrícola no país até o encerramento do próximo ano.
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