
El Niño pode gerar ventos quentes nos países africanos e impactar a produção de cacau
Seagri/SP
O mercado de commodities já está se movimentando em torno de um possível fenômeno climático, o Super El Niño, previsto para chegar a partir de junho em diversas regiões. O temor já impactou as bolsas de valores. Em maio, o preço do cacau (que é uma commodity) subiu 21% na Bolsa de Nova York, que é a principal referência para o produto.
O Super El Niño deve atingir o Hemisfério Sul a partir de junho, mas a principal preocupação dos investidores está nos possíveis impactos do fenômeno sobre a safra no oeste da África.
Os contratos futuros de segunda posição da commodity subiram 21,5% durante o mês, atingindo um valor médio de US$ 4.107 por tonelada. O movimento reflete o receio de que a produção do ciclo 2026/27, previsto para começar em outubro, sofra uma redução drástica devido às condições climáticas adversas.
Impacto do El Niño na produção global
Agências meteorológicas indicam uma probabilidade crescente de um El Niño de forte intensidade para o segundo semestre de 2026. A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) apontou uma chance de 79% de o fenômeno ocorrer entre os meses de junho e agosto, o que serviu de gatilho para uma alta de 30% nas cotações apenas na primeira semana de maio.
O El Niño é conhecido por alterar os padrões de chuva e temperatura em escala global. No caso do oeste africano — responsável por cerca de 70% do cacau do mundo —, o fenômeno costuma trazer secas severas.
De acordo com Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX, a preocupação central é o Harmatã, um sistema de ventos quentes e secos provenientes do deserto do Saara. Esses ventos podem bloquear as precipitações na Costa do Marfim e em Gana, prejudicando o desenvolvimento das plantas.
A consultoria StoneX revisou suas projeções para o mercado global de cacau. A previsão de superávit (excesso de oferta em relação à demanda) para o ciclo 2026/27 foi reduzida de 247 mil toneladas para 149 mil toneladas. O mercado segue em alerta, lembrando que na safra 2023/24, período do último impacto significativo do El Niño na região, o mundo enfrentou um déficit de quase 500 mil toneladas da commodity.
Além do cacau, outros produtos agrícolas apresentaram variações relevantes em maio, como o trigo, que teve a maior valorização entre os grãos na Bolsa de Chicago, impulsionado pela falta de chuvas nas lavouras dos Estados Unidos.
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