Agroband

Super El Niño em 2026: saiba quais culturas serão mais atingidas no Brasil

Fenômeno climático deve trazer chuvas intensas ao Sul e seca no Norte, impactando a produtividade de soja, milho, trigo e cana-de-açúcar no segundo semestre

VIVIANE TAGUCHI

24/04/2026 • 16:51 • Atualizado em 24/04/2026 • 16:51

Meteorologistas apontam El Niño Godzilla no segundo semestre de 2026

Meteorologistas apontam El Niño Godzilla no segundo semestre de 2026

Gerada por IA

O El Niño de 2026, que já vem sendo classificado por especialistas como um possível "Super El Niño" ou "El Niño Godzilla", promete alterar drasticamente o calendário e a produtividade agrícola brasileira. Com o aquecimento das águas do Oceano Pacífico superando os 2°C, o fenômeno impactará as principais cadeias produtivas do país de formas distintas a partir do segundo semestre.

Compartilhar

Segundo dados dos órgãos internacionais de meteorologia e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão ligado ao Ministério da Agricultura, a preocupação central reside na irregularidade climática. Enquanto o Sul deve enfrentar excesso de precipitação, o Centro-Oeste e o Norte e Nordeste tendem a sofrer com o atraso das chuvas e períodos de seca severa.

Impacto nos grãos e na janela de plantio

As culturas de soja e milho estão no topo da lista de riscos. Na região Centro-Oeste, o El Niño pode causar veranicos — períodos de seca e calor forte durante a estação chuvosa — o que atrasa o plantio da safra de verão 2026/27, que é liberado pelo governo em meados de setembro.

Este atraso gera um efeito cascata: ao plantar a soja mais tarde, o agricultor reduz a "janela ideal" para o milho safrinha. Isso significa que o milho de segunda safra ficará mais exposto à falta de chuva ou a geadas no final do ciclo, aumentando o risco de quebra de safra.

Já no Sul do país, o problema é o inverso. O excesso de chuva previsto para o inverno e primavera de 2026 tende a prejudicar as lavouras de trigo. O acúmulo de água no solo e a alta umidade favorecem doenças fúngicas e reduzem o pH do grão, resultando em perda de qualidade e menor valor de mercado para o produtor.

Cana-de-açúcar e o setor sucroenergético

No Sudeste, o foco está na cana-de-açúcar. As chuvas acima da média no Centro-Sul podem atrapalhar o ritmo da colheita e, principalmente, reduzir o Açúcar Total Recuperável (ATR).

O ATR é o indicador que mede a capacidade da planta de produzir açúcar ou etanol. Quando chove demais, a cana "dilui" seus açúcares, o que prejudica a cristalização e afeta diretamente o planejamento das usinas, que podem ter que alterar o mix de produção para compensar a baixa qualidade da matéria-prima.

Riscos nas regiões Norte e Nordeste

Nas regiões Norte e Nordeste, o cenário é de alerta para a segurança alimentar e pecuária. A seca severa projetada pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) deve atingir fortemente as culturas de subsistência, como o feijão e a mandioca.

Além disso, a falta de chuvas compromete a capacidade de suporte das pastagens. Com menos pasto disponível, o gado perde peso, o que pode elevar os custos de produção para o pecuarista e impactar o preço da carne ao consumidor final.

Embora a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) ainda não tenha divulgado dados oficiais de quebra, o consenso entre institutos como o INMET e consultorias privadas é de que o manejo preventivo será a única saída para mitigar as perdas devastadoras que o "Super El Niño" pode causar em 2026.