
Meteorologistas apontam El Niño Godzilla no segundo semestre de 2026
Gerada por IA
O El Niño de 2026, que já vem sendo classificado por especialistas como um possível "Super El Niño" ou "El Niño Godzilla", promete alterar drasticamente o calendário e a produtividade agrícola brasileira. Com o aquecimento das águas do Oceano Pacífico superando os 2°C, o fenômeno impactará as principais cadeias produtivas do país de formas distintas a partir do segundo semestre.
Segundo dados dos órgãos internacionais de meteorologia e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão ligado ao Ministério da Agricultura, a preocupação central reside na irregularidade climática. Enquanto o Sul deve enfrentar excesso de precipitação, o Centro-Oeste e o Norte e Nordeste tendem a sofrer com o atraso das chuvas e períodos de seca severa.
Impacto nos grãos e na janela de plantio
As culturas de soja e milho estão no topo da lista de riscos. Na região Centro-Oeste, o El Niño pode causar veranicos — períodos de seca e calor forte durante a estação chuvosa — o que atrasa o plantio da safra de verão 2026/27, que é liberado pelo governo em meados de setembro.
Este atraso gera um efeito cascata: ao plantar a soja mais tarde, o agricultor reduz a "janela ideal" para o milho safrinha. Isso significa que o milho de segunda safra ficará mais exposto à falta de chuva ou a geadas no final do ciclo, aumentando o risco de quebra de safra.
Já no Sul do país, o problema é o inverso. O excesso de chuva previsto para o inverno e primavera de 2026 tende a prejudicar as lavouras de trigo. O acúmulo de água no solo e a alta umidade favorecem doenças fúngicas e reduzem o pH do grão, resultando em perda de qualidade e menor valor de mercado para o produtor.
Cana-de-açúcar e o setor sucroenergético
O ATR é o indicador que mede a capacidade da planta de produzir açúcar ou etanol. Quando chove demais, a cana "dilui" seus açúcares, o que prejudica a cristalização e afeta diretamente o planejamento das usinas, que podem ter que alterar o mix de produção para compensar a baixa qualidade da matéria-prima.
Riscos nas regiões Norte e Nordeste
Nas regiões Norte e Nordeste, o cenário é de alerta para a segurança alimentar e pecuária. A seca severa projetada pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) deve atingir fortemente as culturas de subsistência, como o feijão e a mandioca.
Além disso, a falta de chuvas compromete a capacidade de suporte das pastagens. Com menos pasto disponível, o gado perde peso, o que pode elevar os custos de produção para o pecuarista e impactar o preço da carne ao consumidor final.
Embora a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) ainda não tenha divulgado dados oficiais de quebra, o consenso entre institutos como o INMET e consultorias privadas é de que o manejo preventivo será a única saída para mitigar as perdas devastadoras que o "Super El Niño" pode causar em 2026.
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