
Clima mais seco em abril pode colocar em risco a safrinha 2026
Wenderson Araujo/Trilux/CNA
O início do outono traz um alerta preocupante para os produtores rurais das regiões centrais do Brasil. A transição para a estação seca, marcada pela redução das precipitações na segunda quinzena de abril, coloca em risco o potencial produtivo das culturas de segunda safra, a chamada "safrinha".
A mudança no regime de chuvas impacta diretamente lavouras de milho, feijão e algodão. Nestes estados, o plantio foi atrasado por instabilidades no início do ano, e agora as plantas enfrentam o período de maior demanda por água justamente quando a umidade do solo começa a diminuir.
Impacto regional em Goiás e Minas Gerais
Em Goiás, a previsão aponta que os maiores volumes de chuva devem se concentrar no leste e norte do estado, com acumulados entre 30 e 70 mm. No entanto, o sul goiano, uma importante zona produtora, deve registrar chuvas isoladas e baixas, variando entre 7 e 20 mm. O índice é muito inferior à média climatológica para abril, que costuma ficar entre 80 e 100 mm.
Minas Gerais apresenta um cenário semelhante. A redução das chuvas é mais severa no centro-norte mineiro, onde os volumes previstos são inferiores a 10 mm. Precipitações mais significativas devem ficar restritas ao Triângulo Mineiro, noroeste e sul do estado, com acumulados entre 30 e 50 mm.
O município de Paracatu (MG) exemplifica a situação de alerta. Dados meteorológicos indicam chuvas mal distribuídas e a manutenção de temperaturas elevadas. Essa combinação, somada à baixa umidade relativa do ar, acelera a perda de água do solo, configurando o chamado estresse hídrico — quando a planta não consegue absorver a água necessária para manter suas funções vitais.
Riscos para milho, feijão e algodão
Para o milho de segunda safra, o estresse hídrico nesta fase pode reduzir a área foliar e prejudicar a polinização. O resultado direto é a má formação das espigas e a diminuição do número de grãos, o que compromete o rendimento final por hectare.
No caso do feijão, os danos dependem do estágio da planta, mas o risco de abortamento de flores é alto. Além disso, a falta de água causa o baixo pegamento de vagens, gerando uma queda acentuada na produtividade.
Já a cultura do algodão sofre com a redução da emissão de ramos produtivos e botões florais. Com menos "maçãs" (como são chamados os frutos do algodoeiro) por planta, o potencial produtivo da fibra cai drasticamente.
Além da falta de água, o calor intenso agrava a situação. As máximas podem superar os 32 °C no noroeste goiano e chegar aos 34 °C no norte de Minas Gerais. Esse cenário impõe severas restrições ao desenvolvimento pleno das culturas, exigindo atenção redobrada dos produtores na gestão do campo e no monitoramento climático.
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