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Safra de laranja 2026/27 começa com incerteza sobre preços e contratos

O setor aguarda a divulgação oficial do Fundecitrus em maio para definir os volumes de processamento da fruta em São Paulo e Minas Gerais

Da redação
DA REDAÇÃO

17/04/2026 • 13:17 • Atualizado em 17/04/2026 • 13:17

Projeções iniciais apontam para uma safra menor que a atual

Projeções iniciais apontam para uma safra menor que a atual

Reprodução/FAEP

A nova safra brasileira de laranja 2026/27, que abrange o cinturão citrícola de São Paulo e o Triângulo Mineiro, inicia o ciclo sob forte clima de incerteza. A precificação da fruta e a formalização de contratos entre produtores e indústria seguem travadas à espera de dados oficiais.

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De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a temporada deve repetir o perfil tardio observado no ano anterior. A expectativa é de uma produção concentrada na segunda florada, o que altera o ritmo de colheita e processamento.

Expectativa pelo levantamento do Fundecitrus

A definição clara sobre os valores e os volumes que serão absorvidos pelas indústrias deve ocorrer apenas após o dia 8 de maio. Nesta data, o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) divulgará o primeiro levantamento oficial de safra, balizando as negociações do setor.

Até o momento, não há sinalização para a realização de contratos negociados exclusivamente para este novo ciclo. O mercado trabalha com cautela, observando as variáveis climáticas e o desenvolvimento dos pomares para estabelecer as bases financeiras da temporada.

Safra menor e estoques de passagem

As projeções iniciais do Cepea indicam que a safra 2026/27 tende a ser ligeiramente menor do que a anterior (2025/26). Apesar da redução, o volume total ainda é considerado expressivo, o que mantém o sinal de alerta ligado para a capacidade de escoamento.

Um ponto crítico para o produtor é o estoque de passagem. A safra 2025/26 deve ser encerrada com bons níveis de armazenamento e suco de alta qualidade. Esse cenário pode reduzir o apetite da indústria por novas frutas no curto prazo, pressionando as cotações.

Desafios na exportação e o mercado europeu

O cenário externo também preocupa os citricultores brasileiros. O escoamento do suco de laranja enfrenta dificuldades logísticas e uma demanda retraída em mercados estratégicos. A Europa, principal comprador do produto brasileiro, ainda não adquiriu os volumes tradicionais para o período.

Essa falta de visibilidade sobre a demanda internacional impacta diretamente a ponta da produção. Sem garantias de venda do suco no exterior, as indústrias processadoras evitam firmar compromissos de compra antecipada com os produtores de São Paulo e Minas Gerais.

O que é a segunda florada?

A florada é o momento em que as laranjeiras produzem flores que darão origem aos frutos. A "segunda florada" ocorre quando há um florescimento tardio, geralmente motivado por variações climáticas ou falta de chuvas no período regular. Frutos de segunda florada costumam amadurecer depois do tempo comum, o que torna a safra mais longa e tardia.

O setor agora monitora se a qualidade da fruta deste ciclo será suficiente para manter a competitividade do suco brasileiro no mercado global, que lida com exigências cada vez maiores de sustentabilidade e padrão técnico.