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Colheita de café avança, mas chuvas em junho mudam rumo dos preços

Clima úmido interrompe sequência de quedas nas cotações no início de junho, reduz a oferta e traz preocupações sobre o padrão e o tamanho dos grãos

Da redação
DA REDAÇÃO

17/06/2026 • 12:44 • Atualizado em 17/06/2026 • 12:44

Clima interfere no ritmo da colheita e preços sobem

Clima interfere no ritmo da colheita e preços sobem

Freepik

As chuvas registradas desde o dia 10 de junho nas principais regiões produtoras de café arábica mudaram a tendência do mercado nacional e fizeram os preços subirem. O início do mês havia sido marcado por fortes quedas nos preços por causa do avanço da colheita da safra 2026/27, mas o cenário de instabilidade climática reduziu a oferta do produto no mercado.

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Segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Cepea), o clima úmido afeta o andamento dos trabalhos e traz preocupações sobre o padrão do produto final. O cafeicultor enfrenta o desafio de recolher a produção sob condições adversas. Além de atrasar o ritmo das máquinas e dos trabalhadores, a umidade excessiva prejudica a secagem do grão.

Preocupação com a qualidade e o tamanho do grão

A colheita deste ano apresenta uma realidade de contrastes no setor cafeeiro brasileiro. Estimativas oficiais de órgãos públicos e de consultorias privadas apontam para uma safra recorde no país. No entanto, os relatos práticos dos produtores rurais mostram problemas na atual temporada.

Agentes do setor afirmam que o tamanho da peneira e a qualidade geral do grão estão inferiores aos registrados no ciclo anterior. As precipitações frequentes nesta fase do ano podem agravar a situação do café arábica, que necessita de tempo seco para manter suas propriedades originais de sabor e aroma.

Café robusta mantém cotações mais firmes

O mercado do café robusta atua de maneira diferente em relação ao arábica e apresenta maior sustentação nas tabelas de preços. A variedade, muito utilizada pelas indústrias de café solúvel, registra cotações mais firmes e estáveis.

O motivo principal para a valorização do robusta são as projeções de uma safra menor que a anterior. Os pesquisadores do Cepea destacam que a quebra na produção mantém a oferta restrita no mercado interno. Essa escassez garante o suporte para os preços mesmo durante o pico do período de colheita.

Logística e comercialização no campo

O fluxo de abastecimento do mercado interno depende diretamente da regularização do clima nas fazendas. Para o produtor de café arábica, a elevação recente nos preços compensa apenas parte das perdas causadas pelo rendimento menor dos lotes colhidos.

O andamento das atividades nas próximas semanas será decisivo para consolidar o volume total da safra brasileira. Cooperativas agrícolas e institutos de pesquisa seguem monitorando os mapas meteorológicos para avaliar se o retorno do tempo firme permitirá a retomada ágil dos trabalhos nas principais praças cafeeiras do país.