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Resumo
O preço do café arábica registrou queda expressiva de 8,7% em maio, com média de R$ 1.653,92 por saca de 60 kg, menor patamar em termos reais desde 2004, segundo o Cepea.
A pressão sobre as cotações decorre do avanço da colheita da safra recorde 2026/27 no Brasil, ritmo lento nas fazendas devido à maturação desigual dos grãos e chuvas pontuais, além de preocupações com granizo no Sul de Minas Gerais.
O mercado acompanha o impacto da safra recorde na oferta global, observando a influência dos preços para exportadores e consumidores, com o indicador atingindo mínimos históricos e refletindo o aumento dos volumes disponíveis.
O preço do café arábica registrou uma forte desvalorização durante o mês de maio, atingindo a menor média mensal em termos reais desde outubro de 2004. De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6 fechou o período com média de R$ 1.653,92 por saca de 60 kg. O valor representa um recuo expressivo de 8,7% na comparação com abril, quando a saca era negociada a R$ 1.811,87.
A pressão sobre as cotações ocorre principalmente devido ao avanço da colheita da temporada 2026/27 no Brasil, que projeta uma produção recorde. Em termos reais — quando os valores são ajustados pela inflação para permitir uma comparação justa com o passado —, os preços atuais retornaram a patamares observados há duas décadas.
Impacto do clima e ritmo da colheita nas fazendas
Apesar da tendência de queda nos preços, o trabalho de campo nas principais regiões produtoras do país seguiu um ritmo mais lento em maio. Segundo o Cepea, isso ocorreu porque os grãos ainda apresentam estágios variados de maturação, além de chuvas pontuais que dificultaram o andamento das máquinas e da colheita manual.
A maturação é o processo em que o fruto do café atinge o ponto ideal para ser colhido; quando esse estágio não é uniforme, a operação exige mais cuidado dos produtores para garantir a qualidade da bebida.
Chuva de granizo preocupa produtores em Minas Gerais
Outro fator que entrou no radar dos especialistas foi a ocorrência de chuvas de granizo no Sul de Minas Gerais, atingindo áreas importantes como Boa Esperança e Ilicínea. Produtores locais ainda avaliam a extensão das perdas causadas pelo fenômeno.
No entanto, com a redução da umidade nos últimos dias, os trabalhos voltaram a ganhar fôlego em praticamente todas as praças cafeeiras. O Cepea ressalta que, ao longo de maio, o indicador chegou a registrar os menores valores diários desde novembro de 2024, reforçando o cenário de baixa para a commodity.
Perspectivas para o mercado de café
O mercado agora observa a evolução da safra recorde brasileira, que é o principal fator de influência nos preços globais. O café arábica é a espécie mais cultivada no Brasil, conhecida por produzir bebidas de sabor mais suave e aroma intenso, sendo muito valorizada pelo mercado externo.
A queda nos preços postos na capital paulista reflete a entrada de novos volumes de grãos no sistema, aumentando a oferta disponível. Para o consumidor e para o setor exportador, esses índices são fundamentais para entender o custo da matéria-prima que chegará às gôndolas e aos portos nos próximos meses.

