A produção de cacau, tradicionalmente concentrada nos estados da Bahia e Pará, vem ganhando espaço no interior de São Paulo, especialmente no noroeste paulista. A cultura, impulsionada por tecnologias de irrigação e materiais genéticos adaptados, já está presente em mais de 66 municípios, consolidando-se como uma alternativa promissora para diversificação e aumento da renda no campo.
Na região de São José do Rio Preto, cerca de 300 hectares são destinados à produção da commodity (produto básico, geralmente agrícola ou mineral, com cotação internacional) e à verticalização do produto. O avanço do cacau no interior paulista transforma propriedades rurais em uma nova fronteira agrícola. Segundo produtores locais, “o cacau tem uma potência mundial não explorada no estado de São Paulo. Agora que nós estamos conseguindo encaixar”.
Tecnologia garante adaptação ao clima paulista
O crescimento expressivo da cultura é atribuído ao uso de sistemas modernos, como irrigação, técnicas de sombreamento e proteção contra o vento. Essas práticas permitiram a adaptação do cacau, originalmente de clima tropical, ao ambiente paulista. De acordo com os produtores, “[o agro] tem tecnologia para isso e essa tecnologia precisa ser aplicada em diversas áreas. Então questão de sistemas de irrigação, proteção do vento, tem toda uma técnica e um projeto”.
O interesse pela produção de cacau em São Paulo é reforçado pelo mercado consumidor local, já que o estado é considerado o maior consumidor de chocolate do Brasil. “A nossa região nos favorece. Nós estamos dentro do estado de São Paulo, que é o maior consumidor de chocolate do Brasil”, destacam.
Nos últimos anos, São Paulo mais que dobrou sua área cultivada com cacau, passando de 220 hectares para 650 hectares, distribuídos em dezenas de cidades. O déficit de produção e os preços elevados da commodity no mercado internacional também incentivam o aumento de novas áreas destinadas ao cacau, fortalecendo a expectativa de crescimento da cadeia produtiva nos próximos anos.
Produtores ressaltam o potencial produtivo e a rentabilidade da atividade, que tem despertado a atenção de quem busca alternativas de maior valor agregado. “Eu não quero fazer só cacau. Eu quero fazer cacau, quero fazer chocolate. Eu quero fazer cacau em pó. Eu acho que vale a pena. É um cultivo que vale a pena experimentar, vale a pena participar”, afirma um dos produtores.
Com a colheita em andamento, a perspectiva é que, em um ano a um ano e meio, os resultados nas lavouras paulistas sejam ainda mais expressivos. “A forma de ousar chamou mais atenção, além do preço, que estava realmente muito atrativo naquele momento e agora, fazendo as contas e com a possibilidade de uma produção em São Paulo muito boa. Mesmo com o preço baixo, daria para gente enfrentar esse desafio”, conclui o produtor.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:

