Preço do trigo sobe no mercado brasileiro e desafia moinhos
Moinhos nacionais enfrentam escassez de trigo para moagem e preço do trigo dispara no Brasil

Agro+
A baixa disponibilidade de trigo próprio para a moagem sustenta os preços do cereal no mercado brasileiro em outubro, contrariando o movimento de desvalorização visto nas bolsas internacionais. Enquanto o mercado externo lida com o aumento na previsão de colheita dos concorrentes e a retração nas exportações dos Estados Unidos, os compradores domésticos precisam disputar lotes de padrão superior no país.
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Conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as médias parciais de preço registradas até o dia 23 de outubro alcançam os maiores níveis de 2026, em termos reais deflacionados pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI). A conjuntura desafia a indústria moageira nacional, que precisa pagar valores mais altos pela matéria-prima básica utilizada na fabricação de farinhas e pães.
Safra argentina amplia oferta internacional
No cenário externo, a expectativa de uma colheita expressiva na Argentina enfraquece as cotações globais. Estimativas divulgadas pela Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) apontam elevação na projeção de colheita do país vizinho para a safra 2026/27, passando de 21 milhões para 23,8 milhões de toneladas.
Se os números forem confirmados em campo, a Argentina alcançará o segundo maior volume colhido nos últimos 17 anos. Contudo, analistas de mercado e pesquisadores alertam que a consolidação desses dados ainda depende diretamente da regularidade das condições climáticas até a conclusão dos trabalhos agrícolas.
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Além da concorrência sul-americana, as vendas externas mais lentas dos Estados Unidos também reduzem a força dos preços fora do Brasil, tornando o produto importado mais competitivo nos portos.
Padrão para ração predomina nas lavouras do país
Mesmo diante da atratividade dos preços externos, o mercado interno brasileiro opera sob dinâmica própria decorrente da qualidade do grão recolhido pelos produtores rurais.
De acordo com colaboradores consultados pelo Cepea, a maior parcela do trigo colhido nesta safra apresenta padrão feed, classificação técnica atribuída ao cereal destinado exclusivamente à alimentação animal. Em razão dessas características qualitativas, esses volumes vêm sendo encaminhados para a exportação e para indústrias de ração, em vez de abastecer as linhas de moagem voltadas ao consumo humano.
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A concentração de grãos para ração reduz a oferta de trigo com os níveis de glúten e força exigidos pelos moinhos de trigo no país. Como consequência, as cotações do produto de padrão superior permanecem aquecidas no mercado doméstico, sem que a pressão baixista internacional consiga derrubar os valores pagos aos agricultores locais.
