Safra de soja pode encolher até 9,7% com Super El Niño, aponta estudo
A produção brasileira de soja na safra 2026/27 pode ter uma retração de 9,7%, o que equivale a cerca de 17,6 milhões de toneladas a menos, caso o país

Wenderson Araujo/Trilux
A produção brasileira de soja na safra 2026/27 pode ter uma retração de 9,7%, o que equivale a cerca de 17,6 milhões de toneladas a menos, caso o país enfrente um cenário de produtividade severo semelhante ao do El Niño de 2023/24, em comparação com um panorama de neutralidade climática. A projeção faz parte de um levantamento inédito divulgado nesta quarta-feira (28) pela Serasa Experian.
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De acordo com o estudo, a colheita projetada neste cenário cairia para cerca de 163 milhões de toneladas. A projeção inicial para a safra, em condições neutras, feita pela Conab, é de 180,6 milhões de toneladas.
O levantamento considera uma expansão de 1,8% na área plantada, com 49,9 milhões de hectares, o que representa um crescimento de 900 mil hectares. Mas, o rendimento médio nacional despencaria de 3.622 para 3.282 quilos por hectare.
O impacto financeiro potencial estimado sobre o Valor Bruto da Produção (VBP) do setor pode atingir a marca de R$ 33 bilhões, com base em simulações realizadas com os preços de agosto.
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Desigualdade regional nos impactos
As perdas mais expressivas concentrar-se-ão na região Centro-Oeste do país. Mato Grosso tem perspectiva de perda de 9,7 milhões de toneladas, enquanto Goiás pode registrar uma redução de 4 milhões de toneladas. Juntos, os dois estados respondem por quase 80% da queda nacional estimada.
Em sentido oposto, o Rio Grande do Sul poderá registrar um incremento de 5,5 milhões de toneladas na comparação com o cenário neutro. O movimento é impulsionado pelo padrão de chuvas característico do fenômeno climático na região sulista, embora o excesso hídrico traga desafios operacionais para a semeadura.
Monitoramento da fase crítica das lavouras
Conforme aponta Daniel de Oliveira, gerente de geoprocessamento agro da Serasa Experian, o risco principal migra da implantação e do plantio para a distribuição de chuvas durante o florescimento e a formação dos grãos nos meses de novembro e dezembro.
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A metodologia do estudo utiliza uma simulação de cenários de produtividade comparativos, servindo para dimensionar a exposição de risco do setor agrícola diante da volatilidade do clima.
