Agro

Seguro rural no Brasil cobre apenas 3% da área agrícola cultivada

Produtores e bancada do agro defendem mudanças no marco legal e ampliação do seguro para reduzir riscos e facilitar o acesso ao crédito

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20/05/2026 11:03 • Atualizado há 133 dias

Seguro rural no Brasil cobre apenas 3% da área agrícola cultivada

Considerado uma das principais reivindicações do agronegócio ao governo federal, o seguro rural voltou ao centro dos debates diante do baixo alcance da cobertura no país e do avanço de propostas para modernizar o setor.

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Atualmente, dos cerca de 82 milhões de hectares plantados no Brasil em 2025, apenas 3,2 milhões estavam segurados, o equivalente a aproximadamente 3% da área agrícola nacional. O número é considerado insuficiente por representantes do setor, especialmente diante do aumento das perdas climáticas e da necessidade crescente de crédito no campo.

Além de proteger a produção em caso de perdas, o seguro rural também é visto pelas instituições financeiras como uma garantia adicional, facilitando o acesso ao crédito e permitindo taxas de juros mais atrativas.

“Com seguro, o produtor consegue crédito com cooperativas, indústrias e bancos. Sem essa proteção, ele pode acabar sem condições de plantar”, destacou um dos especialistas entrevistados no programa.

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Para estimular a contratação, o governo federal mantém o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que subsidia parte do valor pago pelo produtor. Em 2025, o programa recebeu orçamento pouco superior a R$ 1 bilhão, montante considerado abaixo das necessidades do setor e distante dos investimentos observados em outros países.

Nos Estados Unidos, por exemplo, os subsídios ao seguro agrícola chegaram a cerca de US$ 10 bilhões anuais, cobrindo aproximadamente 90% das principais culturas. Na China, o orçamento destinado ao subsídio do seguro agrícola em 2025 ficou em torno de US$ 7,5 bilhões. Já a União Europeia permite subsídios de até 70% do valor do prêmio do seguro por meio da Política Agrícola Comum (PAC).

No Brasil, produtores relatam dificuldades não apenas relacionadas aos custos, mas também à falta de produtos adequados para determinadas regiões e culturas. Atividades como hortaliças e frutas, além de áreas da região Norte, ainda enfrentam baixa oferta de seguros estruturados.

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Diante desse cenário, parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária defendem a aprovação de um projeto de lei que moderniza o marco legal do seguro rural. O texto já passou pelo Senado e aguarda análise da Câmara dos Deputados.

Entre os principais pontos da proposta estão a blindagem do orçamento do PSR contra cortes futuros, a operacionalização do Fundo Catástrofe — mecanismo que daria maior suporte às seguradoras — e incentivos ao produtor, como descontos nas taxas de juros para operações de crédito vinculadas ao seguro.

Segundo o deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion, a medida pode contribuir para reduzir a inadimplência e ampliar a proteção financeira do setor.

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A expectativa da bancada ruralista é que a proposta avance antes do anúncio do próximo Plano Safra, considerado estratégico para ampliar a cobertura do seguro e reduzir os impactos das perdas climáticas sobre a produção agrícola.

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