Super El Niño ameaça safra brasileira e acende alerta no campo
Probabilidade de evento extremo chega a 97%; especialistas recomendam reforço no manejo agrícola

A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) elevou para 97% a probabilidade de ocorrência de um "Super El Niño" entre o fim de setembro e o início de outubro. O cenário climático acende o sinal de alerta para a safra 2026/27 no Brasil.
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As projeções do Centro Europeu de Previsão Meteorológica (ECMWF) indicam que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial pode alcançar 3,2°C. Atualmente, os termômetros da região de monitoramento já marcam 1,8°C acima da média histórica.
A oscilação reacende a preocupação dos produtores rurais, que enfrentaram perdas severas em 2024. Naquele ano, o fenômeno provocou cheias históricas no Rio Grande do Sul e estiagens acentuadas em outras regiões do País.
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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor da produção agrícola nacional recuou 3,9% em 2024, para R$ 783,2 bilhões. O volume colhido de cereais, leguminosas e oleaginosas caiu 7,5% no mesmo período.
Para o engenheiro agrônomo Douglas Vaz Tostes, técnico nacional da GIROAgro, as consequências do fenômeno vão além do excesso ou da escassez hídrica observados na superfície das propriedades rurais. Ele avalia que o estresse térmico e as anomalias de umidade afetam diretamente a disponibilidade, a absorção e a assimilação dos nutrientes pelas culturas agrícolas.
Nas regiões com excesso de chuva, como o Sul, o principal problema é a lixiviação — processo em que a água em abundância "lava" o solo e carrega os adubos e minerais solúveis para camadas profundas da terra, distantes das raízes.
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Já nas áreas que sofrem com seca, como partes do Norte e do Nordeste, o solo ressecado trava o desenvolvimento radicular da planta e impede a absorção hídrica dos fertilizantes aplicados.
Diante desse quadro desafiador, a nutrição vegetal deixa de ser apenas a entrega rotineira de adubos para se transformar em uma ferramenta de resiliência produtiva.
O especialista explica que tecnologias voltadas para o enraizamento profundo e o equilíbrio fotossintético preparam as lavouras para tolerar períodos críticos de estresse ambiental.
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Ele destaca que o agricultor precisa integrar a análise química e física do solo ao planejamento climático da safra, garantindo maior sustentação para as plantas atravessarem as intempéries.
O El Niño consiste no aquecimento anômalo das águas do Pacífico equatorial, com ciclo de recorrência entre dois e sete anos. O que mobiliza meteorologistas em 2026 é a extensão da área aquecida: a Noaa mapeou uma mancha com temperatura 2°C acima do normal em um espaço quatro vezes maior que o território brasileiro, energia suficiente para desregular os regimes de chuva em escala global.
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