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Ela perdeu a filha de 13 anos e passou a ouvi-la nos sonhos: "Abra o coração, mamãe"

Em meio à dor que mudou tudo, Tatiane buscou sentido nas lembranças e em um pedido inesperado; veja no Quem Ama Não Esquece

Da redação
DA REDAÇÃO

07/08/2025 • 11:20 • Atualizado em 07/08/2025 • 11:20

Tatiane perdeu a filha Lara aos 13 anos após uma grave doença. Em meio à dor profunda e à depressão, ela começou a ter sonhos com a menina e, incentivada por uma frase marcante, decidiu abrir o coração novamente. Ao lado do marido, Gustavo, reencontrou o amor ao adotar a pequena Clara. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM, desta quinta-feira (7).

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Tem dores que parecem impossíveis de suportar. Mas a verdade é que, depois delas, ou a gente afunda de vez, ou aprende a nascer de novo.

Quando eu conheci o Gustavo, eu ainda não sabia amar direito. Eu achava que amor era essa coisa sempre muito intensa, cheia de paixão — tanto para o bem quanto para o mal. Que tinha que ter grito, briga, essas coisas, para mostrar que era de verdade.

Mas ele era o oposto de mim... era calmo, tranquilo, seguro. Ele falava baixo, tinha paciência e, acho que percebeu desde o primeiro momento, que teria que me ensinar a amar e ser amada de verdade.

Deu certo... A gente se casou depois de dois anos juntos. Foi uma cerimônia pequena, simples, mas muito bonita e emocionante. Como seria também a minha vida ao lado dele: simples e bonita.

Ele realmente me mostrou o que era amor, mas nós dois só descobrimos mesmo o valor de tudo quando a Lara nasceu. Foi ela quem trouxe a maior alegria de todas. Foi ela que chegou para completar o que a gente nem sabia que faltava.

A Lara nasceu saudável, chorou forte e cresceu do mesmo jeito... cheia de saúde e de personalidade. Muito esperta, muito amorosa, muito criativa. Ela adorava cantar, dançar, e eu sempre dizia que ela um dia ainda ia ser artista, mas ela respondia que ia ser astronauta.

Durante muito tempo, fomos só nós três. E nós três muito felizes, diga-se de passagem.

O fim da maternidade biológica e o recomeço ao lado de Gustavo

Até que, numa dessas visitas de rotina ao médico, eu descobri que tinha um cisto muito grande no útero e que aquilo poderia se tornar um risco grande para mim.

O doutor explicou que a melhor das opções seria fazer uma histerectomia completa, ou seja, retirar o meu útero.

— Fica calma, meu amor. Se vai ser para o seu bem, se é para não te deixar com nenhum risco, então a gente nem tem que pensar.

— Mas, Gu... eu não vou mais poder ter filhos e a gente queria. A gente queria...

— Tá tudo bem, Tati. A gente tem a Lara. Deus deu a melhor filha do mundo pra gente e ele decidiu que ela era o suficiente. Fica em paz com isso.

— Obrigada por estar sempre comigo. Por me apoiar tanto!

— E eu sempre estarei.

Eu chorei muito, mas fiz a cirurgia e me conformei. O Gustavo foi essencial para que eu entendesse. Eu já tinha a Lara. Eu já tinha o mundo.

Só que a vida... a vida tem um jeito bem cruel de desmontar tudo aquilo em que a gente acredita.

A perda devastadora de Lara

Anos depois da minha cirurgia, quando a minha filha tava com 13 anos, ela adoeceu.

No começo, eram só uns sintomas bobos. Uma febre aqui, uma dor de cabeça ali. A gente achou, claro, que era só uma virose, cansaço da escola, coisa de criança, ou até puberdade.

Mas não era.

Os sintomas não só não passaram como pioraram.

A Lara não tinha só uma virose. A Lara tinha algo muito mais grave. Algo que, mesmo com todos os exames, diagnósticos, remédios, médicos, orações, promessas… venceu a gente.

Minha Lara lutou bravamente. Com coragem, com força, com aquele jeitinho doce que sempre teve. Mas o corpo dela não aguentou. E um dia, depois de quase um ano de batalha, ela descansou.

Eu… Eu prefiro não me alongar muito aqui. Porque tem dores que, mesmo que eu passasse a vida inteira tentando descrever, ninguém conseguiria entender. O que a gente viveu… o que a gente perdeu… eu não desejo nem para o pior dos inimigos.

Nada, absolutamente nada, prepara uma mãe para enterrar um filho. Nada.

Eu enterrei a minha filha aos treze anos de idade. Enterrei os planos. As roupas dobradas no armário. Os cadernos rabiscados. Os livros da escola com marca-texto verde, porque essa era a cor preferida dela. Não rosa, não roxo, mas verde. Os brinquedos favoritos. As primeiras maquiagens. O primeiro sutiã, que ela usava com tanto orgulho.

Enterrei o que ela foi. E o que ela nunca vai ter a chance de ser. Porque quando uma mãe perde um filho, ela não perde só a presença. Ela perde o futuro inteiro.

O luto profundo e os sonhos com um novo sentido

Nos primeiros meses depois da partida da Lara, eu deixei de viver. E não, isso não é exagero. Eu respirava, me levantava, comia o mínimo. Mas viver… viver, não. Eu parei no tempo.

Eu ficava horas sentada no chão do quarto dela, abraçada no travesseiro que ainda tinha o cheirinho dela. Eu não falava com ninguém, não queria ver ninguém. A casa parecia grande demais sem ela. Silenciosa demais. Cruel demais.

O Gustavo tentava ser forte. Ele cuidava de mim, das coisas da casa, do que dava, mas eu via que ele também tava em pedaços. A diferença é que ele se obrigava a funcionar, enquanto eu simplesmente desabei.

Quando eu chorava, ele me segurava. Quando ele chorava, se escondia.

Foram meses assim. Meses de puro sofrimento e de uma pergunta que ninguém respondia:

Por quê?

Por que ela? Por que a nossa filha? Por que tão cedo? Por que com a gente? Por quê?

Quanto mais eu tentava entender, mais eu me revoltava.

— Tati, a gente não tem como entender os planos de Deus e...

— Chega! Chega desse papo, Gustavo. Eu já tentei me convencer de que tudo tem um porquê, mas ISSO não faz sentido! Eu queria... queria trocar de lugar com a Lara. Eu queria morrer, Gustavo.

— Não fala isso, Tati... por favor. Não fala isso.

— Primeiro Deus me tira o direito de ser mãe outra vez. Depois me leva minha única filha. O que Ele quer de mim, Gustavo? O que me resta nessa vida? Tudo perdeu o sentido. A minha existência perdeu o sentido. Você entende? O meu coração virou uma pedra.

— Me dói muito ouvir tudo isso porque eu ainda tenho uma razão para viver: você.

Eu ficava destruída de magoar um homem tão bom quanto o Gustavo, mas eu tava afundada numa depressão tão profunda que eu não via saída.

Até que começaram os sonhos.

Primeiro, eu achei que era coisa da minha cabeça. Eu queria tanto ver a Lara, sentir de novo a presença dela, que meu inconsciente devia estar tentando me consolar.

Mas os sonhos voltavam... sempre do mesmo jeito.

Ela vinha sorrindo, com aquele jeitinho doce dela, me abraçava e dizia, baixinho: “Abre o coração, mamãe…”

E aí eu acordava chorando, com o peito apertado, como se ela realmente tivesse estado ali.

O chamado para um novo amor

Aquela frase ficava martelando na minha cabeça. “Abre o coração.” Mas pra quê? Pra quem?

Foram meses com o mesmo sonho.

Até que eu entendi que talvez… talvez ela só estivesse me pedindo pra continuar. Pra não fechar as portas da vida. Pra abrir espaço pra algo novo, mesmo com tanta dor. Mesmo sem ela aqui.

Um dia, eu tava ouvindo o Quem Ama Não Esquece, da Band FM, e ouvi uma história sobre um casal que não podia ter filhos e adotou duas crianças.

Foi como um estalo. Foi como se alguém acendesse uma luz na minha cabeça. E se o que a Lara estivesse tentando me dizer fosse exatamente isso? Adotar. Dar amor. Recomeçar.

Aquela história me atingiu em cheio. Como se alguém tivesse apertado um botão dentro de mim. Pela primeira vez, em quase um ano, eu senti algo diferente da dor. Era como se um fio de esperança, bem fininho, tivesse se estendido ali, diante de mim.

Adotar uma criança… Aquilo nunca tinha passado realmente pela minha cabeça. Não depois de tudo. Não depois da Lara. E para ser sincera, nem antes.

Mas agora fazia sentido. Não como substituição, porque isso seria impossível. Mas como um caminho e como resposta ao pedido da minha filha: “Abre o coração, mamãe.”

O reencontro com a vida no nome de Clara

Eu pensei durante vários dias e aí, quando eu me senti pronta, eu falei para o Gustavo. Eu tava nervosa, insegura.

— Você acha mesmo que a gente conseguiria?

— Eu não sei... mas eu acho que a gente deveria tentar. Eu... eu não quero viver para sempre nesse luto. E se for isso que a Lara vem tentando me dizer? E se ainda existe alguma forma de vida pra gente?

— Se o seu coração está te dizendo isso, então eu vou com você. Onde você for, Tati, eu vou também.

Foi assim que nós começamos o processo.

A gente fez tudo direitinho: os cursos, entrevistas, visitas, laudos, avaliações. Foi bem longo, difícil, teve momento em que eu quase desisti. Mas tinha alguma coisa que não deixava.

Eu senti que eu não era mais só dor. Eu era amor outra vez. Um amor novo, que nascia da saudade, sim, mas também da vontade de cuidar de alguém outra vez. De entregar o que sobrou em mim ou melhor... o que tava renascendo.

Foram quase dois anos até que a gente recebeu a ligação. Na hora, eu travei. O meu coração disparou e eu nem conseguia respirar.

A assistente social disse que tinha uma menina de dois aninhos que precisava de um lar.

Clara.

Na hora eu senti um arrepio. Clara. LARA.

A coincidência me fez chorar ali mesmo, no telefone.

Não era a mesma filha. Mas era uma criança. Uma menina. Uma vida. Era como se a minha filha estivesse me dizendo: “Mamãe, tá tudo bem… pode amar de novo.”

Nós fomos conhecê-la alguns dias depois e quando eu vi aquela menininha assustada segurando um ursinho velho, o meu coração bateu de um jeito que eu não sentia bater desde o dia em que eu peguei a Lara no colo pela primeira vez.

Eu abaixei na altura dela e perguntei se eu podia dar um abraço nela. Ela, tão pequenininha, não falou nada, mas me abraçou.

Naquele abraço eu soube... era ela. Era com ela que a nossa história ia recomeçar.

A Clara tá crescendo rápido... É curiosa, cheia de perguntas, tem uma risada gostosa e um jeitinho doce que me desmonta. Às vezes, quando ela dorme, eu fico olhando o rostinho dela e vejo algo da Lara ali. Ela até disse outro dia que quando crescer vai ser astronauta...

Eu não sei se é ilusão minha ou se é só o amor encontrando formas de me lembrar que nada foi em vão.

A dor ainda mora aqui. Sempre vai morar. Mas agora ela divide espaço com outras coisas.

Com a gratidão, por exemplo. Com a esperança. E com esse amor tão imenso, tão inexplicável, que nasceu do luto e que me ensinou que, mesmo depois do fim, a vida encontra um jeito de seguir.

Eu não substituí minha filha. Eu jamais conseguiria.

Mas eu decidi continuar amando.

E amar de novo, de outro jeito, com outras formas, foi também uma forma de honrar quem partiu.

Foi meu jeito de dizer: “Eu sobrevivi. E estou viva pra amar outra vez.”

Texto gerado artificialmente e revisado por Band.com.br.

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