
Cássio Fala Pira (PL) é investigado por violência sexual contra mulheres e posse de material de abuso infantil
Rubens Cardia/Câmara Municipal de Piracicaba
A Justiça confirmou nesta quarta-feira (3) que converteu a prisão temporária do vereador Cássio Luiz Barbosa, o Cássio Fala Pira (PL), em prisão preventiva. A principal diferença entre as prisões é que a temporária tem um prazo fixo, enquanto a prisão preventiva não tem prazo para terminar. O parlamentar é investigado por violência sexual contra mulheres e posse de material de abuso infantil. Ele nega as acusações.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), o político é investigado em um inquérito policial na Delegacia Seccional de Piracicaba (SP) por suposta posse de material de abuso infantil. O parlamentar está preso desde outubro, por ser alvo de denúncias de crimes sexuais contra mulheres, e já teve o exercício da função pública suspenso pela Câmara Municipal de Piracicaba.
Sobre a conversão da prisão, em nota, a defesa do vereador disse que “recebeu com perplexidade a decisão que decretou a sua prisão preventiva, após ter sido inicialmente detido em caráter temporário, sem que lhe fosse oportunizada a apresentação de defesa. Ressalta-se que ele sempre colaborou com as autoridades competentes, jamais praticou qualquer conduta criminosa e agora vê sua honra e reputação gravemente comprometidas por ilações infundadas e mediáticas, destituídas de provas materiais ou circunstanciais que possam sustentar as acusações que lhe foram imputadas”.
A defesa finaliza reafirmando “a absoluta inocência do Vereador Cássio Luiz Barbosa em relação às acusações de natureza sexual que lhe são atribuídas, imputações estas desprovidas de respaldo probatório e apresentadas sem que ao acusado fosse garantida a possibilidade de contrariá-las”.
A respeito da acusação de posso de material de abuso infantil, também em nota, os advogados do vereador disse que, em relação do inquérito policial do ano de 2022, o material encontrado no celular do político se tratava de conteúdo enviado ao vereador no formato de denúncia contra outra pessoa.
“E o material somente foi localizado justamente porque o vereador foi à tribuna da Câmara de Vereadores e relatou o fato, dizendo que faria a denúncia, o que culminou na busca e apreensão do celular. Portanto, o vereador não possuía nenhuma relação com o material encontrado, e esse fato foi esclarecido no inquérito policial no ano de 2022, sem nenhuma consequência judicial, causando surpresa a utilização desse episódio contra o vereador nesta oportunidade”, disse a defesa do parlamentar.
Os advogados ainda afirmam que causa estranheza o inquérito policial instaurado em 2022 não ter sido concluído, já que “ultrapassa a razoabilidade e proporcionalidade” e que tomarão providências cabíveis entender a demora da conclusão do inquérito policial.
Acusado de crimes sexuais
O vereador de Piracicaba (SP), Cássio Luiz Barbosa, conhecido como Cássio Fala Pira (PL), foi preso temporariamente pela Polícia Civil no dia 9 de outubro. O parlamentar é alvo de, pelo menos, 12 denúncias de crimes sexuais contra mulheres. A prisão aconteceu na casa do vereador. No escritório e gabinete dele, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão.
A defesa do parlamentar disse que as acusações feitas ao vereador “não correspondem à verdade”, que considerou precoce a representação de prisão temporária junto ao Poder Judiciário, já que o vereador não foi convocado anteriormente para ter a “oportunidade de esclarecer os supostos fatos e acusações vindo, em maioria, de usuários da internet" e que, ao final do processo, a inocência e Cássio Fala Pira será comprovada.
A Câmara se pronunciou, por meio de nota, e disse que, desde o conhecimento das denúncias, tem prestado suporte às autoridades que conduzem as investigações:
“A presidência da Câmara Municipal está acompanhando de perto o desenrolar do caso, em contato permanente com a Procuradoria Legislativa da Casa, a fim de garantir que todas as medidas administrativas e regimentais cabíveis sejam tomadas e em estrita conformidade com a legislação vigente.
A Câmara Municipal de Piracicaba reitera seu compromisso com a ética, a moralidade pública e a legalidade. Quaisquer novas informações relevantes sobre o caso serão comunicadas à população com a máxima seriedade e responsabilidade”, finaliza a nota.
O Diretório Municipal do Partido Liberal (PL) de Piracicaba também divulgou uma nota afirmando que reconhece a gravidade das acusações e a importância de uma apuração rigorosa e imparcial e que, para isso, confia na Justiça e no trabalho da Polícia Civil.
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