A equipe da Band Campinas (SP) foi até o local onde o homem em situação de rua foi agredido pelos policiais militares, nesta quarta-feira (10).
De acordo com as apurações, a vítima é nigeriana e estaria no Brasil desde 2023. No entanto, não fala português, apenas inglês e francês. O repórter Igor Val conversou com o morador que contou como foi a abordagem policial.
O que diz o morador?
“Ele estava com raiva, entende? Então, eu disse para ele se acalmar para que eu pudesse me levantar. Quando eu me levantei, eles me mandaram colocar as mãos para trás, o que eu fiz, e esticar as pernas.
Eu fiz isso. Eles começaram a me assediar. Vi outros policiais chegando com seus carros, porque eles já vinham me assediando várias vezes com gás lacrimogêneo.
Então, eu não queria mais gás lacrimogêneo nos meus olhos. Eles me mandaram ajoelhar também, e eu ajoelhei. Então, eles começaram a bater muito em mim.".
Além disso, o Igor Val conversou com moradores da região que contaram que o homem sempre fica na praça e nunca causou incômodo para ninguém.
A Prefeitura de Campinas também se pronunciou sobre o assunto e afirmou que o homem vem sendo acompanhado pela rede municipal de Assistência Social e Saúde desde março deste ano.
O que diz a Prefeitura?
"A primeira abordagem ocorreu na Praça 15 de Novembro, no Cambuí. Na ocasião, foram ofertados acolhimento, orientações e apoio, mas não houve adesão. Ao longo das semanas seguintes, foram realizadas diversas novas abordagens pela rede socioassistencial, sempre com o objetivo de construir vínculo e oferecer alternativas de atendimento.
Inicialmente, havia a suspeita de que o usuário fosse um imigrante que não falava português. Por esse motivo, a Prefeitura acionou o Centro de Referência do Imigrante, Refugiado e Apátrida para buscar apoio e orientações. Posteriormente, foi possível identificar o usuário e obter informações de contato de sua mãe, residente na Nigéria.
A partir dessas informações, a rede municipal realizou articulações com os serviços de Saúde e Assistência Social e também manteve contato com a família. Em conversa mediada por tradutor, a mãe relatou o histórico recente do filho, disse que não tinha condições de vir ao Brasil e solicitou que os serviços públicos locais continuassem acompanhando o caso.
Paralelamente, o Consultório na Rua e demais serviços de saúde passaram a acompanhar a situação. Em um dos episódios registrados, o usuário apresentou um quadro que demandou acionamento da Guarda Municipal e do Samu, sendo encaminhado para atendimento psiquiátrico na UPA Carlos Lourenço.
Ao longo desse período, foram oferecidos ao usuário acolhimento, atendimento pela rede socioassistencial, acompanhamento em saúde, orientações, auxílio para organização documental e apoio para contato com familiares. No entanto, em todas as oportunidades em que foi possível estabelecer diálogo, ele manifestou não desejar receber atendimento ou acolhimento.
O acolhimento institucional de pessoas em situação de rua não pode ser realizado de forma compulsória. A legislação brasileira garante a autonomia dos cidadãos, e o ingresso em serviços de acolhimento depende da concordância da própria pessoa, exceto em situações específicas previstas em lei e respaldadas por avaliação técnica e determinação judicial ou médica.
Mesmo diante das recusas registradas, a rede municipal manteve o acompanhamento do caso e continuará realizando novas tentativas de aproximação, oferecendo suporte e acesso aos serviços públicos sempre que houver possibilidade de adesão por parte do usuário".
O que diz a Secretaria de Segurança Pública (SSP)?
“A Polícia Militar não compactua com excessos e pune com rigor todos os casos identificados. O comando do 8º Batalhão do Interior determinou a instauração de um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os fatos, inclusive com análise do vídeo veiculado e das câmeras corporais dos agentes envolvidos na ocorrência. O procedimento será acompanhado pela Corregedoria Geral da PM”.
Entenda o caso
Policiais Militares foram filmados agredindo um morador em situação de rua durante uma abordagem no Largo Santa Cruz, no Cambuí, em Campinas (SP), nesta quarta-feira (10). [Veja o vídeo]
As imagens gravadas por moradores que estavam no local, mostram uma mulher pedindo calma, enquanto pelo menos nove agentes tentam mobilizar o homem.
Em outro vídeo, uma moradora aparece conversando com os agentes. [Veja abaixo]
*Estagiária sob supervisão.
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