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Campinas e Região

MP denuncia médicos da Unicamp por 'fila paralela' em bariátricas

Investigação aponta privilégios para pacientes de empresa privada no HC; Unicamp e Indaiatuba se manifestaram sobre o caso

Rafaela Oliveira
RAFAELA OLIVEIRA

26/03/2026 • 12:19 • Atualizado em 26/03/2026 • 12:19

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) protocolou uma ação civil de improbidade administrativa contra o médico Elinton Adami Chaim, coordenador do Ambulatório de Obesidade do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, em Campinas (SP), e seu filho, o também médico Felipe David Mendonça Chaim. A denúncia, registrada nesta terça-feira (24), aponta a criação de um "fluxo paralelo" para beneficiar pacientes de uma empresa privada em cirurgias de obesidade realizadas pelo hospital público.

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Segundo as investigações, os denunciados utilizavam suas posições no HC para garantir acesso privilegiado e não institucionalizado a pacientes encaminhados pela CHM Serviços Médicos Ltda, empresa da qual Felipe é sócio-administrador. O suposto esquema permitia que esses pacientes fossem atendidos sem passar pela via oficial da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS), por meio de encaminhamentos não formalmente regulados.

A empresa CHM mantinha contratos com municípios como Indaiatuba (SP), Monte Sião (MG) e Águas de Lindoia (SP) para prestação de serviços multidisciplinares no tratamento da obesidade. Em Indaiatuba, um dos contratos firmados em 2020 previa o pagamento de R$ 144 mil por serviços de médico cirurgião, nutricionista e psicólogo.

A ação judicial, que tramita na 2ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, atribui à causa o valor de R$ 3.288.000,00. O objetivo é a condenação por improbidade e a reparação de dano moral coletivo.

Em nota, a Unicamp informou que instaurou dois Processos Administrativos Disciplinares (PADs) para apurar as condutas. O docente Elinton Adami Chaim foi absolvido na esfera administrativa, enquanto Felipe David Mendonça Chaim recebeu uma penalidade de suspensão de 10 dias. A universidade ressaltou que os processos garantiram o direito à ampla defesa.

A Prefeitura de Indaiatuba declarou que não possui mais contrato vigente com a CHM e que, durante a prestação dos serviços, não foram identificadas irregularidades no município. A administração municipal afirmou estar à disposição para esclarecimentos.

Outro lado

Até o momento, a equipe de jornalismo no conseguiu falar com Elinton Adami Chaim e Felipe David Mendonça Chaim, mas o canal permanece aberto para o posicionamento de ambos sobre o caso.

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