
Paciente perde parte do intestino após pinça ser esquecida em cirurgia
Reprodução
No dia 5 de janeiro deste ano, Érica Cristina Bannai Von Hoonholtz foi submetida a uma histerectomia na Santa Casa de Bragança Paulista (SP) para tratar sangramentos constantes. Embora a equipe médica tenha afirmado que o procedimento foi bem-sucedido, a paciente carregou, sem saber, uma pinça Kelly de cerca de 18 centímetros esquecida dentro de seu abdômen por três meses.
O erro só foi descoberto em abril, quando Érica acordou com dores abdominais insuportáveis, vômitos e diarreia. Ao realizar exames de imagem, a reação dos técnicos chamou sua atenção: eles paravam o exame repetidamente para perguntar se ela possuía metal no corpo.
Uma tomografia e um raio-X confirmaram a presença do objeto metálico. Investigações posteriores revelaram que, na lista de checagem dos instrumentos usados na cirurgia, os campos obrigatórios de contagem ficaram em branco. Veja o documento, marcado em vermelho onde deveria ter sido preenchido:

Documento foi assinado por um médico
Crédito: Reprodução
Sequelas e complicações graves
A descoberta do erro médico deu início a um calvário de novas internações. No mesmo dia em que a pinça foi localizada, Érica passou por uma cirurgia de emergência para a retirada do objeto, o que resultou na perda de 22 centímetros de seu intestino, que já apresentava necrose.
A recuperação foi marcada por dores, náuseas e sangramentos. Desde então, a paciente enfrentou mais dois procedimentos cirúrgicos devido a complicações:
- 30 de abril: cirurgia para correção de hérnias e aderências após pontos internos se romperem, com a colocação de uma tela cirúrgica.
- 15 de julho: retirada de parte da tela após contrair uma bactéria hospitalar resistente. Durante o tratamento infeccioso, Érica sofreu uma bacteremia — uma reação grave ao antibiótico que a fez temer pela própria vida.

A descoberta do erro médico deu início a um calvário de novas internações
Crédito: Reprodução
Silêncio médico e ação judicial
Segundo o relato de Érica, a Santa Casa de Bragança Paulista prestou suporte total, incluindo acomodação privativa e isenção de custos após o incidente.
Em contrapartida, o cirurgião responsável pelo primeiro procedimento, Juliano Noronha Ribeiro, não entrou em contato direto com a paciente. Érica afirma que, apenas meia hora após registrar uma reclamação na ouvidoria do hospital, recebeu uma proposta de acordo amigável enviada pelo jurídico do médico.
Diante da gravidade do caso, foi registrado um boletim de ocorrência por lesão corporal contra o médico na delegacia de Bragança Paulista. Érica Cristina decidiu tornar sua história pública como uma forma de alerta às autoridades e auditorias hospitalares:
O meu objetivo é salvar outras pessoas de qualquer negligência médica... Eu preciso testemunhar que sou um milagre vivo.
Leia na íntegra nota do hospital
"Em cumprimento ao dever de sigilo assistencial, à privacidade dos pacientes e à legislação de proteção de dados pessoais, o Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista não se manifesta publicamente sobre casos individualizados.
A instituição permanece à disposição das autoridades competentes, por meio dos canais oficiais, para prestar os esclarecimentos cabíveis."
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