A Polícia Federal (PF) indiciou, nesta quinta-feira (6), 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass por atentado contra a segurança do transporte aéreo. O grupo é responsabilizado pela queda da aeronave em Vinhedo (SP), ocorrida em 9 de agosto de 2024, que causou a morte de 62 pessoas.
Agora, o Ministério Público Federal (MPF) deve analisar o documento e decidir se oferece a denúncia à Justiça. Nesse momento, ninguém deve ser preso, mas foram proibidos de deixar o país; o não cumprimento dessa medida cautelar poderá culminar em prisão preventiva.
Os indiciados são apontados como pessoas que contribuíram para o acidente por ação ou negligência. Entre eles estão os comandantes de quatro voos anteriores e despachantes operacionais que omitiram falhas mecânicas recorrentes nos livros técnicos da aeronave. De acordo com os peritos, se os alertas de falha no sistema de degelo tivessem sido documentados como exigido, o avião não poderia ter continuado operando em condições de gelo.
Além deles, entre os indiciados estão o dono da companhia Voepass de Ribeirão Preto (SP) José Luis Felicio e o diretor de manutenção Eric Cônsoli. Os dois são apontados como lideranças dentro da empresa antes da crise que levou ao fechamento e, sendo assim, suspeitos de contribuir com a “Cultura de Omissão”.
Causas do acidente
Segundo a perícia, a causa principal do acidente foi a perda de controle em voo provocada pelo acúmulo de gelo e pela inoperância do sistema pneumático de degelo da estrutura. A investigação concluiu que a tripulação não executou de forma adequada os procedimentos de emergência necessários para lidar com a formação severa de gelo e a recuperação de estol.
O relatório final aponta que houve desvios graves no despacho da aeronave. O voo não deveria ter sido autorizado devido a uma falha no limpador de para-brisa, que impedia a decolagem diante da previsão de chuva e gelo severo no destino. Além disso, foram encontradas irregularidades na manutenção, como a remoção de uma válvula do sistema de degelo sem o registro de instalação de uma peça substituta.
Diferente do relatório do CENIPA (Força Aérea), que visa apenas prevenir futuros acidentes, este laudo da Polícia Federal tem natureza criminal. Ele serve para subsidiar o Inquérito Policial que busca identificar culpados por crimes relacionados ao desastre.
*Matéria em atualização
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